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Adesão de 95% à greve dos trabalhadores dos Transportes Coletivos do Barreiro

Paralisação devido à falta de entendimento com a autarquia quanto à organização dos tempos de trabalho.
Lusa 14 de Outubro de 2021 às 09:16
Greve da Soflusa
Greve da Soflusa FOTO: Pedro Catarino
A greve de 24 horas dos motoristas dos Transportes Coletivos do Barreiro devido à falta de entendimento com a autarquia quanto à organização dos tempos de trabalho, estava às 08h30 com uma adesão de 95%, segundo fonte sindical.

"A adesão à greve está na ordem dos 95%. Estão a circular apenas sete autocarros, o resto está tudo parado. Os que estão a circular são de trabalhadores que entraram ao serviço recentemente, são eventuais", disse à Lusa Manuel Oliveira, vice-presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas e Outros Trabalhadores.

O sindicalista adiantou que as expectativas de adesão à greve, que começou às 04:40 desta quinta-feira e termina às 02h30 de sexta-feira, para os turnos da tarde e noite são "da mesma ordem de grandeza".

"Deve rondar os cerca de 95% também, pois recuso-me a acreditar que estes colegas vão fazer o serviço da manhã, tarde e noite. Senão estariam a incorrer numa ilegalidade por causa dos tempos de descanso", salientou.

Manuel Oliveira disse que ainda não obtiveram resposta da empresa e adiantou que os trabalhadores não excluem endurecer as formas de luta.

A Lusa tentou, sem sucesso, obter junto da autarquia um balanço da greve.

Em causa está a falta de entendimento com a Câmara Municipal do Barreiro quanto à organização dos tempos de trabalho.

Segundo explicou à Lusa o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Motoristas e Outros Trabalhadores, trata-se de uma situação que opõe "a administração da empresa e os trabalhadores há já vários anos".

"Tem a ver com a construção de horários e rendições, com a organização dos tempos de trabalho", disse o responsável, acrescentando que, ao longo dos últimos "seis/sete anos" o sindicato tem "vindo a fomentar com a administração um diálogo que pudesse dar origem a um acordo".

De acordo Manuel Oliveira, até ao momento, tal acordo não foi conseguido pelos trabalhadores dos Transportes Coletivos do Barreio, que pretendem um acordo igual ao conseguido com os motoristas do município de Coimbra.

"Nós [Sindicato] conseguimos fazer um acordo com o município de Coimbra para os mesmos trabalhadores, ou seja, para a mesma categoria profissional de trabalhadores - assistentes operacionais agentes únicos", disse.

Manuel Oliveira explicou que o que os trabalhadores dos Transportes Coletivos do Barreiro querem é o "mesmo conjunto de direitos e regras definidas para que as partes possam cumprir".

À semelhança do que acontece com o Transportes Coletivos de Coimbra, geridos pelo município de Coimbra, também os serviços municipalizados Transportes Coletivos do Barreiro são geridos pela Câmara Municipal do Barreiro.

O sindicalista salienta não querer apontar opções políticas, sublinhando que até agora as autarquias eram geridas pelo Partido Socialista: Coimbra deixou de ser liderada por Manuel Machado que perdeu as autárquicas de 26 de setembro para José Manuel Silva, eleito em coligação de partidos da direita, enquanto no Barreiro mantém-se Frederico Rosa.

Em comunicado, a Câmara do Barreiro, avançou que "por motivos alheios aos Transportes Coletivos do Barreiro estão previstas "perturbações significativas no regular funcionamento de carreiras, devido a greve dos motoristas".

Desta forma, a autarquia recomenda aos utentes do transporte o "acompanhamento do seu funcionamento em tempo real, através da aplicação TCB".

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