Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
A adjunta no gabinete da Ministra da Saúde, Dulce Salzedas, garantiu esta quinta-feira que não teve conhecimento da greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar por ter estado de folgas e fora de Lisboa.
"Estive de folgas dias 1, 2 e 3 [de novembro de 2024] e não sei quando é que as pessoas que nessa altura trabalharam no gabinete de comunicação, tiveram informação de uma greve, ou se tiveram informação de uma greve", disse Dulce Salzedas.
Dulce Salzedas falava na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), onde foi ouvida na sequência de um requerimento do Chega que considerou indispensável esclarecer o papel da assessora nas informações transmitidas à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que antecederam a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, entre 30 de outubro e 04 de novembro de 2024.
Ao longo da audição, a responsável insistiu que não tinha qualquer função de coordenação no gabinete de comunicação quando ocorreram os factos, cargo que diz ter assumido no final de novembro de 2024, explicando que na altura prestava apoio às assessoras de imprensa, sobretudo em matérias técnicas ligadas à saúde, mas o seu trabalho passava sobretudo pelo contacto com associações de doentes e entidades do setor, sendo que raramente contactava diretamente com jornalistas.
Questionada sobre o circuito interno de comunicação de pré-avisos de greve, disse não saber como funcionava o procedimento na altura, referindo que atualmente esse processo não passa pelo gabinete de comunicação.
"Que eu saiba, o circuito do pré-aviso de greve, pelo menos agora, não passa pelo gabinete de comunicação", declarou.
Perante as insistências dos deputados sobre onde terá falhado a circulação da informação, a responsável afirmou: "Eu não sei onde é que falhou, eu não lhe consigo explicar onde é que falhou".
Segundo Dulce Salzedas, o tema da greve só foi abordado no gabinete de comunicação após o fim de semana de 1 a 3 de novembro, quando "começaram a surgir no gabinete perguntas dos jornalistas", referiu.
A responsável afirmou que, caso tivesse recebido o pré-aviso de greve, o transmitiria ao chefe de gabinete, à ministra da Saúde e aos secretários de Estados.
Durante a audição, vários deputados manifestaram surpresa e alguns mostraram-se incrédulos com a alegada falta de conhecimento da greve por parte da tutela, tendo em conta as várias notícias publicadas a anunciar as greves na comunicação social.
Em resposta, Salzedas afirmou que não se recorda de ter visto notícias sobre a greve antes dos dias críticos.
"A resposta é não. Não vi, não presenciei, não vi notícias, não falei, não ouvi ninguém comentar a questão da greve", disse.
Mostrando várias notícias publicadas na altura, Pedro Frazão afirmou: "O que a senhora está a dizer é que isto era a bandalheira total neste Ministério, o amadorismo total, em que ninguém sabe nada".
Durante as greves dos TEPH, entre 30 de outubro e 04 de novembro de 2024, registaram-se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).
Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.
O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.
O Ministério Público arquivou os seis inquéritos que tinha aberto às mortes por alegada falta de socorro durante a greve dos técnicos do INEM, no final de 2024, confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR) à Lusa no dia 7 de maio.
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