Doentes atendidos nos hospitais privados sem terem sido encaminhados pelo SNS não estão por enquanto contemplados.
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A ADSE quer cobrir os custos com os testes de covid-19 obrigatórios em doentes oncológicos em tratamento, mas os atendimentos nos privados, no âmbito da pandemia, de doentes não encaminhados pelo SNS não estão contemplados.
Em declarações à agência Lusa, Eugénio Rosa, vogal do Conselho Diretivo da ADSE - subsistema de saúde da função pública - disse que estão a ser analisados os casos dos doentes oncológicos em tratamento, para cobrir os custos dos testes obrigatórios, e explicou que os doentes que foram atendidos nos hospitais privados sem terem sido encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde não estão por enquanto contemplados.
"Tem sido dito que os doentes que tenham sintomas devem contactar a Saúde24. É isso que tem de acontecer", afirmou, sublinhando que, por enquanto, a ADSE quer decidir com urgência o caso dos doentes oncológicos pois há muitos beneficiários deste subsistema em tratamento.
"O resto logo se vê", acrescentou.
A polémica sobre os encargos do atendimento dos doentes pelos hospitais privados no âmbito da pandemia de covid-19 surgiu depois de a Sic ter numa reportagem divulgado que alguns grupos privados se preparavam para cobrar ao Estado estas despesas, mesmo que os doentes não tivessem sido encaminhados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Na sequência desta reportagem, a ministra da Saúde veio esclarecer que o Estado só vai assegurar os custos de tratamento dos doentes infetados com o novo coronavírus nos hospitais privados nos casos encaminhados pelo SNS.
Ficou clarificado que as despesas dos restantes doentes - atendidos nos privados sem terem sido encaminhados pelo SNS -, terão de ser custeadas pelos seguros de saúde, subsistemas de saúde ou até pelos próprios doentes.
Depois deste esclarecimento, a Fidelidade veio hoje anunciar que a Multicare assinou um protocolo com a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) para assistir os seus segurados que não tenham sido referenciados pelo SNS.
Os dados da APHP disponibilizados à Lusa indicam que, no âmbito da pandemia de covid-19, tinham sido atendidos até terça-feira nos hospitais privados 3.946 doentes, 25% dos quais com ADSE. No total, estavam internados 104 doentes infetados nos hospitais privados, dos quais seis em unidades de cuidados intensivos.
A APHP manifestou-se hoje disponível para assinar com outras seguradoras ou subsistemas de saúde um acordo semelhante ao estabelecido com a Multicare.
Portugal, em estado de emergência até 17 de abril e onde o primeiro caso de covid-19 foi confirmado no dia 02 de março, está na terceira e mais grave fase de resposta à doença (Fase de Mitigação), ativada quando há transmissão local, em ambiente fechado, e/ou transmissão comunitária.
Os últimos dados oficiais indicam que Portugal regista 599 mortos associados à covid-19 e 18.091 pessoas infetadas.
O novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19, já infetou mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo, levando à morte de quase 127 mil.
Mais de 428 mil doentes foram considerados curados.
SO // SB
Lusa/fim
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