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Correio da Manhã

Sociedade
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Algarve precisa de reutilizar água para travar seca

Investigadora sugere que águas residuais tratadas, que têm mais azoto, devem ser utilizadas na agricultura.
João Saramago 16 de Fevereiro de 2020 às 10:38
Odeleite, na bacia hidrográfica do rio Guadiana, registava 40% de volume
Odeleite, na bacia hidrográfica do rio Guadiana, registava 40% de volume FOTO: André Guerreiro
O Algarve conta com a maior parte do território em situação de seca severa. Em pleno inverno, a barragem de Odelouca, a maior da região, contabiliza 53% de capacidade. Já o volume de armazenamento de Odeleite, a segunda mais importante, é de 40%. Para combater a falta de água nos solos, uma investigadora da Universidade do Algarve aponta a "obrigação" de reutilizar águas residuais tratadas na agricultura, atividade com um elevado consumo de água.

"O Algarve tem um conjunto de Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) que já produzem efluentes tratados com muita qualidade e temos nova legislação para a reutilização destas águas residuais tratadas", explica Manuela Moreira da Silva, do Centro de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Algarve.

A docente frisa que estes efluentes urbanos tratados se avolumam no verão, período em que a população na região triplica, passando de perto de meio milhão de habitantes para 1,5 milhões, devido à época alta do turismo.

A reutilização da água proporciona a "rega de culturas com uma água que tem mais azoto do que a água subterrânea ou do que a água tratada para consumo humano", explica, citada pela Lusa. Por isso, afirma, poupa-se "água, energia e fertilizantes de azoto". Manuela Moreira da Silva lembra que "grande parte dos consumos de água no Algarve não precisam de água tratada para consumo humano" e podem ser feitos com "uma água com uma qualidade inferior".

Manuela Moreira da Silva recorda ainda que grande parte do consumo - cerca de 70%- está associado à agricultura.

PORMENORES
Laranjas e abacates
A agricultura do Algarve tem na laranja e na amêndoa as suas principais fontes de rendimento. Nos últimos anos há uma forte aposta no abacate, que necessita, contudo, de mais rega que as culturas tradicionais.

Obstáculos no sistema
A instalação de um sistema de distribuição de águas diferenciadas é a grande dificuldade, que passa por "criar os sistemas de distribuição de água que não é potável, sem que se cruze com a água para consumo humano".

Volume de albufeiras
No dia 7, as barragens apresentavam os seguintes volumes de armazenamento: Arade, 51%, Funcho, 80%, Odelouca, 53%, Bravura, 33% e Odeleite, 40%.

Desperdício de 40%
Os desperdícios nos sistemas de rega, na região algarvia, apresentam muitas vezes valores na ordem dos 40%.
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