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Correio da Manhã

Sociedade
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Algarve quer usar água do mar para consumo para combater seca

Construção de central de dessalinização é uma alternativa para travar a falta de água.
José Carlos Eusébio 7 de Outubro de 2020 às 08:53
Barragem da Bravura tem apenas 14,6% de volume de água armazenada e é onde os efeitos da seca são mais visíveis
Barragem da Bravura tem apenas 14,6% de volume de água armazenada e é onde os efeitos da seca são mais visíveis FOTO: Pedro Noel da Luz
A construção de uma central para tratamento da água do mar para consumo humano é uma das hipóteses em cima da mesa para fazer face à escassez de água no Algarve. Os custos previstos atingem os 85 milhões de euros. Esta solução deverá ainda implicar o aumento do preço da água para os consumidores.

Um estudo sobre as soluções para o reforço da oferta de água na região algarvia, elaborado pelos especialistas Pedro Cunha Serra, António Carmona Rodrigues e Rodrigo Proença de Oliveira, aponta a possibilidade da “instalação de uma central de dessalinização em Albufeira (ou duas, uma no Barlavento e outra no Sotavento), em local a determinar em estudos de maior detalhe, destinada ao abastecimento dos principais centros de consumo”.

Os custos para “uma capacidade inicial de cerca de 75 000 metros cúbicos/dia serão da ordem dos 85 milhões de euros, com a interligação ao condutor principal da Águas do Algarve”. Desta forma, seria possível disponibilizar mais água das barragens para outros usos, nomeadamente rega. Mas esta seria apenas a primeira fase do projeto de dessalinização, dado que os especialistas apontam como ideal uma produção de cerca de 150 000 m3/dia. Por isso, é preconizada uma ampliação da capacidade “à medida das necessidades”.

Uma das consequência desta opção tem que ver com os custos para a população. “O preço da água para consumo pode ter de ser aumentado”, segundo revela o estudo. Além disso, o recurso à dessalinização implica “a produção de uma salmoura, que tem de ser rejeitada de modo a não colocar em causa o ambiente marinho”.



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