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Alunos arrancam para futuro incerto

Milhares de novos alunos do Ensino Superior que ontem começaram a inscrever-se nas universidades e nos politécnicos em todo o País assumem as "perspectivas negras" de futuro, e muitos admitem emigrar, mas ainda assim consideram que vale a pena apostar na qualificação. <br/><br/>

11 de setembro de 2012 às 01:00

Na Universidade de Coimbra, os caloiros criticam o valor das propinas e acham que estudar na universidade é um grande esforço financeiro para os pais. Beatriz Gomes, de 18 anos, vive em Castelo Branco e conseguiu vaga em Ciências Farmacêuticas. "As propinas são altas, mas é um custo que temos de suportar." Depois do curso, quer fazer investigação.

Pedro Barros, da Associação Académica do Algarve, encara o novo ano com apreensão: "As famílias estão descapitalizadas e vamos ter um número maior de jovens a abandonar os estudos." O dirigente estudantil aponta o "valor exorbitante das propinas" e a "redução nos apoios" como principais causas para Portugal ser "o país da Europa com maior taxa de abandono dos estudos".

Em Portugal, 26 por cento dos alunos recebem bolsas de estudo, segundo um relatório da rede Eurydice ontem divulgado em Bruxelas, o que coloca o País no grupo em que "apenas uma minoria" tem acesso a esse apoio. A percentagem varia entre 1% na Grécia e 40% na Hungria. André Almeida, de 18 anos, de São Pedro do Sul, pretende recorrer à bolsa de estudo para concluir Direito em Coimbra: "Tirar uma licenciatura hoje em dia fica um bocado caro, mas no fim parece-me que compensa. Vou recorrer à bolsa", diz.

As matrículas para os 40 415 novos alunos colocados na primeira fase realizam-se ao longo de toda a semana. Desde 2006 que não havia tão poucos caloiros, num ano em que as médias caíram – o último aluno que entrou em Medicina fê-lo com 17,9 valores de média. Para a 2ª fase, ainda sobraram 12 306 lugares. n

ABRIU ÉPOCA DA PRAXE ATÉ PARA ALUNOS DO... 3º ANO

l Já começaram as praxes aos caloiros, mas ontem o ‘CM’ viu também alunos do 3.º ano do curso de Geologia da Faculdade de Ciências (Lisboa) serem alvo de praxe. "É um ritual para cimentar a união e para eles depois também poderem ‘praxar’", disse o veterano Bruno Carvalho.

Débora Marques, aluna do 3.º ano, fazia flexões com cinco colegas, todos bem-dispostos, às ordens de uma veterana. "Para depois podermos ‘praxar’ os caloiros, temos de fazer isto", afirmou ao ‘CM’.

MINISTRO VAIADO POR PROFESSORES

n O ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, foi ontem recebido à entrada da TVI, em Queluz, com gritos de "aldrabão" por duas centenas de professores, a maioria contratados que perderam o emprego e que foram ‘convocados’ para o protesto através do Facebook. "Não vamos comer e calar e deixar passar a destruição da escola pública", disse ao CM Bruno Reis, professor desempregado que promoveu o protesto.

Na entrevista à TVI, Nuno Crato invocou "a pressão das Finanças" e a "redução de 200 mil alunos" nos últimos anos para justificar a dispensa de docentes, que vai continuar. Mas admitiu que os colocados nas escolas vão ter mais trabalho. "Sei que estamos a pedir a todos trabalho extra, e acho que eles vão aceitar", afirmou o ministro, considerando o aumento de dois alunos por turma "muito pouco".

Crato prometeu fazer a vinculação extraordinária de professores contratados até final de 2012. Não disse quantos poderão beneficiar mas lembrou que "na última vez foram 400". Sobre as irregularidades nas contratações de escola, garantiu que "as reclamações serão vistas" e não haverá "complacência com amiguismos". Crato garantiu que os cursos do Ensino Superior com menos de 20 alunos "serão menos financiados" e que "o essencial é tornar o ensino mais exigente". n B.E.

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