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Correio da Manhã

Sociedade
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Alunos ciganos nunca tinham ido à escola

"O que andam para aí a dizer é uma vergonha. Aqui não há racismo. Estas crianças e jovens nunca tinham vindo à escola". As palavras, ditas de forma exaltada, são de uma professora do Agrupamento de Escolas EB 2,3 Abel Varzim, em Barcelos, que preferiu não se identificar – porque só a Direcção Regional de Educação do Norte pode falar sobre o assunto – mas que não quis calar a "revolta" relativamente ao caso do ‘contentor dos ciganos’ da Lagoa Negra.
18 de Março de 2009 às 00:30
Escola Primária da Lagoa Negra
Escola Primária da Lagoa Negra FOTO: Estela Silva/Lusa

O monobloco, a que o secretário da Junta de Freguesia de Barqueiros, António Cardoso, chamou contentor, foi colocado no âmbito do projecto ‘Entre Margens’, que tinha por objectivo cativar para a escola as crianças dos acampamentos ciganos da zona.

Depois de os professores terem sensibilizado a matriarca do acampamento principal para a necessidade da frequência da escola, formou-se uma turma de 17 alunos, com idades entre os 9 e os 19 anos. Têm várias disciplinas, incluindo espanhol, e o 'contentor' é o único espaço da escola com ar condicionado. O sociólogo Carlos Silva, da Universidade do Minho, diz que 'errou quem rotulou esta situação de discriminatória ou racista'.

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