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Correio da Manhã

Sociedade

Alunos com autismo sem terapias por "divergências financeiras"

Onze crianças com autismo, de uma escola de Leça da Palmeira, estão sem terapias desde Setembro, alegadamente devido a "divergências financeiras" entre Direcção Regional de Educação do Norte e Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo.
4 de Novembro de 2011 às 09:56
O teste permite analisar a capacidade de produção de sons orais das crianças portuguesas e a correcção atempada pela terapia da fala
O teste permite analisar a capacidade de produção de sons orais das crianças portuguesas e a correcção atempada pela terapia da fala FOTO: Dmitriy Shironosov

"O corte da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) entristece-me. Acho este caso escandaloso. Deram prioridade às actividades extracurriculares, como as artes plásticas, inglês, música e educação física, mas descuraram as terapias para as crianças autistas numa Unidade de Ensino Estruturado para alunos com Perturbação do Espectro do Autismo", declarou à Lusa Margarida Graça, mãe de uma menina de oito anos com autismo.

Margarida Graça lembra que as crianças com autismo praticamente "não falam" e "precisam ter terapia da fala e de ser ajudadas a atenuar os estereótipos".

A Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) apoiou, durante um período de dois anos lectivos, crianças e jovens com perturbações do espectro do autismo na Escola Básica da Viscondessa, em Santa Cruz do Bispo (Leça da Palmeira).

O trabalho desenvolvido foi "benéfico para ambas as partes" [alunos e associação], mas "divergências financeiras entre a APPDA e a DREN, levaram ao cancelamento das terapias da fala e ocupacional este ano lectivo", confirmou à Lusa a direcção da APPDA, acrescentando que o valor atribuído para o ano 2011/2012 era "incomportável para o bom funcionamento do projecto".

O director do agrupamento de escolas básicas de Leça da Palmeira, Jorge Sequeira, contou à Agência Lusa, por seu turno, que a anulação das terapias na Escola Básica da Viscondessa deve-se ao facto da APPDA ter "rescindido o contrato que tinha com a DREN no final de Setembro, princípio de Outubro".

Jorge Sequeira assegurou, todavia, que há esforços em curso para recolocar terapeutas naquela instituição escolar. "Neste momento, estão a decorrer as diligências necessárias por parte da DREN para se proceder à colocação dos terapeutas", acrescentou.

A Associação de Amigos do Autismo (AMA) informou também que os estudantes com autismo das Unidades de Ensino Estruturado do distrito de Viana do Castelo e Braga, designadamente em Barcelos e Esposende, não estão a ter o apoio de psicologia, terapia da fala e terapia ocupacional desde o início do ano lectivo.

"Este apoio deveria estar a ser dado pelos Centros de Recurso para a Inclusão (CRI), mas até à data este [apoio] ainda não iniciou", lê-se num comunicado enviado esta sexta-feira pela AMA à comunicação social. A Lusa contactou a DREN, mas não obteve qualquer resposta.

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