page view

Alunos dizem que há "falta de respeito" do Governo pelo seu esforço

Alunos e professores participaram esta sexta-feira numa manifestação em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, devido ao caos nos exames nacionais.

24 de julho de 2026 às 23:50

Os alunos que participaram esta sexta-feira numa manifestação falaram de "falta de respeito" do Governo pelo seu esforço e gritaram "estudantes unidos jamais serão vencidos" em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa.

Sara Ferreira foi uma das estudantes que sublinhou a "falta de respeito" pelo seu problema, dislexia, e pelo esforço dos seus pais para que ela conseguisse ter a ficha A, o documento que lhe permite que não lhe sejam imputados alguns erros em provas de português.

Mas segundo a aluna da Escola Artística António Arroio o facto de ter a ficha A não contou para a correção do seu exame de português que fez na primeira fase.

"Os professores que corrigiram a prova não tiveram acesso à ficha A", afirmou.

"Isto aconteceu comigo e com muitas mais pessoas que também têm dislexia e défice de atenção", adiantou a jovem com um ar indignado.

Sara pediu esta quinta-feira a reapreciação da prova, na qual teve uma classificação negativa, de nove valores, graças à mãe, professora de português, que reviu o teste e percebeu que na parte formal da prova Sara tinha tido zero em todas as respostas.

Por isso, falou com outros professores e concluiu que os colegas que tinham corrigido a prova da filha não tinham tido acesso à sua ficha A.

A aluna fez na primeira fase as provas de português, inglês e a de história e cultura das artes. "Só a de português correu mal", sublinhou.

No protesto desta sexta-feira, que levou ainda ao desvio do trânsito da Avenida Infante Santo, no sentido da Estrela para a Avenida 24 de Julho, pela PSP, e que juntou mais de uma centena de pessoas, foi pedida a demissão do ministro da Educação, por alunos e professores.

Promovida pelo movimento Chumbado.pt, composto por alunos do Ensino Secundário, a manifestação acabou por contar com o apoio formal e institucional da Associação Académica de Coimbra e do Movimento Vida Justa, da Missão Escola Pública e do SOS Escola Pública, bem com a presença e solidariedade da Federação Nacional de professores (Fenprof).

O objetivo do movimento ao convocar esta manifestação foi reivindicar que nenhum estudante seja prejudicado por "erros políticos e logísticos do Ministério da Educação" no processo de correção e classificação dos exames nacionais.

Animado desde o início, com os alunos a cantarem entre outros slogans "ministro escuta os estudantes estão em luta", o protesto foi também a ocasião aproveitada pelo movimento Chumbado.pt para exigir ao Governo medidas para uma avaliação justa de todos os exames nas várias fases e a isenção das taxas de reapreciação.

Em conjunto com professores pediram a demissão do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre.

O Chumbado.pt, que diz querer fazer parte da solução apresentou esta sexta-feira, durante a manifestação, um manifesto com "exigências inegociáveis".

No documento exige, entre outras reivindicações: Uma avaliação justa e transparente para todos os estudantes, o alargamento do prazo das candidaturas ao ensino superior, que se permita a atualização das candidaturas sempre que haja alteração das classificações e instruções nacionais claras e uniformes para a resolução de todas as situações pendentes, evitando que cada escola implemente procedimentos diferentes.

Além disso, os alunos querem que se assegure a regularidade das Fichas ENES (documento necessário para a candidatura ao ensino superior), a isenção total das taxas de reapreciação de exames, bem como o "abandono imediato da atual plataforma de classificação".

Já os representantes dos partidos políticos, António Filipe, do PCP, Rui Tavares, do Livre, e Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda, presentes na manifestação, defenderam, perante os jornalistas a necessidade de uma Comissão parlamentar de Inquérito, para investigar e apurar responsabilidades sobre o que se passou este ano com os exames nacionais.

Embora, não assumam quando irão apresentar o pedido.

O Partido Socialista já tinha anunciado esta sexta-feira que avançará com uma comissão parlamentar de inquérito se o ministro da Educação não responder satisfatoriamente até ao início de setembro a um conjunto de questões sobre o processo de digitalização de exames nacionais.

O representante da Fenprof, presente na manifestação, Joaquim Carvalho, coordenador do departamento do segundo, terceiro ciclo e secundário da federação disse que "há um caos que se instalou e que os alunos são quem mais tem sofrido com este processo" e defendeu que a "resolução [do problema] não está à vista".

Joaquim Carvalho criticou o valor que os alunos têm de pagar para pedir a reapreciação da prova [25 euros] e assegurou que "não há nada de concreto" quanto ao prometido pagamento das horas suplementares aos professores que fizeram um esforço para corrigir os exames.

Pela primeira vez este ano, quase 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas, obrigando ao adiamento por alguns dias da divulgação das notas.

O ministro da Educação tem reconhecido os problemas, mas garantiu que nenhum aluno será prejudicado.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8