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Correio da Manhã

Sociedade
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Alunos sem aulas desde Setembro

Cerca de 60 alunos de duas turmas dos 5º e 6º anos da EB 2,3 Bartolomeu Dias, em Sacavém, Loures, ainda não têm professor de Português. Os do 6º ano fazem exame no final do ano e já perderam quase 50 aulas. Uma série de imponderáveis e a burocracia do sistema terão conduzido a esta situação.

20 de Novembro de 2011 às 01:00
A EB 2,3 Bartolomeu Dias, em Sacavém, é considerada uma escola de risco
A EB 2,3 Bartolomeu Dias, em Sacavém, é considerada uma escola de risco FOTO: DUARTE RORIZ

Segundo Carlos Candeias, director do agrupamento de Escolas de Sacavém e Prior Velho, a primeira professora a quem foram atribuídas as turmas entrou de licença de parto em Setembro e não chegou a dar aulas. Tentou contratar um substituto através da bolsa de recrutamento mas "não apareceu qualquer candidato". Por oferta de escola, contratou-se uma docente, em meados de Outubro, que "deu aulas só uma semana e depois optou por aceitar outro horário em Leiria". Já em Novembro, recrutou-se outra professora, que "deu aulas apenas um dia e meteu baixa devido a uma gravidez de risco". A escola já lançou de novo o horário de 16 horas na aplicação electrónica e espera um candidato.

O director diz estar de mãos atadas: "É uma situação que nos preocupa muito mas cumprimos todos os prazos e leis. Gostaria de atribuir estas turmas a professores contratados que tenho na escola com horários incompletos, mas só o poderia fazer com autorização superior e não conheço nenhum caso em que tenha sido autorizado". Outra solução seria atribuir as turmas a docentes do quadro mas a tutela não autoriza horas extras: "Dizem logo para agir de acordo com a lei e lançar o horário a concurso".

Manuel Pereira, da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, põe o dedo na ferida. "O sistema é burocrático e pouco flexível. O cumprimento rigoroso da lei não dá espaço aos directores e os interesses dos alunos não são postos em primeiro lugar", disse ao CM, sublinhando: "As direcções deviam ter mais autonomia para evitar problemas deste género".

"O MEU FILHO VAI ESTAR PREPARADO PARA O EXAME?"

Paulo Condesso, pai de um aluno do 6º ano, está preocupado: "Como é que o meu filho vai estar preparado para o exame com quase 50 aulas a menos?". Já Albino Almeida, da Confederação Nacional de Associações de Pais, acusa os directores de "gerir tudo ao milímetro para não serem acusados de nada". Mas também aponta o dedo ao sistema e não concorda com o período de 30 dias em que docente e escola podem rescindir o contrato porque "põe em causa o interesse dos alunos".

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