Intitulado "Sem Tiranos! (Sem Reis!)", o movimento pretendeu simbolicamente rejeitar tendências autoritárias e reforçar a importância dos princípios democráticos.
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Cerca de duas centenas de cidadãos norte-americanos residentes na região Norte de Portugal, integrados num movimento internacional, manifestaram-se hoje em frente à Câmara do Porto para contestar as políticas da administração de Donald Trump.
Intitulado "Sem Tiranos! (Sem Reis!)", o movimento pretendeu simbolicamente rejeitar tendências autoritárias e reforçar a importância dos princípios democráticos.
No Porto, o protesto que decorreu entre as 13:30 e as 15:30, foi organizado pela 'Indivisible Porto' como parte de uma ação mais ampla que mobiliza comunidades norte-americanas em várias cidades do mundo, chamando a atenção para as preocupações sobre a direção da democracia dos EUA e as ações da administração Trump.
"Nós estamos contra essas políticas do governo atual, tanto no exterior como no interior. E sobretudo contra a guerra que está a acontecer no Médio Oriente. Essa guerra foi só por ordem de Trump, não estava autorizada pelo Congresso. A Constituição diz que qualquer reação bélica tem de ser aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos", disse Robert Glassburner.
Residente em Portugal desde 1983, Glassburner, que integra atualmente a Orquestra Sinfónica da Casa da Música, considerou que a guerra de Israel e dos EUA no Médio Oriente vai "provavelmente demorar muito tempo para acabar, porque o Movimento Maga (Make América Great Again), Câmara de Representantes e Senado vão bloquear essa legislação".
Em termos de política interna, apontou o exemplo de ICE (Polícia de Controlo de Imigração, criada por Donald Trump), que considerou "uma espécie de polícia secreta. É uma espécie de Pide ou Gestapo dos tempos passados".
"E eu nunca imaginava que isso ia acontecer nos Estados Unidos. Apresentam-se mascarados, não têm identificação pessoal, nem nos carros em que se deslocam", disse.
Uma outra cidadã norte americana, que se apresentou como Lesley, contou que veio de Minneapolis para Portugal "no dia em que Trump foi eleito".
"Em Minneapolis tem sido realmente difícil. Muitas pessoas ainda estão sequestradas nas suas casas, muitos imigrantes estão com medo de sair, devido à atuação do ICE", explicou.
Gritando palavras de ordem e exibindo cartazes com frases contra Trump, os participantes no protesto apontaram várias questões que têm gerado grande preocupação entre os americanos no estrangeiro, incluindo "a supressão de votos, ataques aos direitos dos transgénero, cortes em programas humanitários, como a USAID, e o tratamento e abuso de imigrantes".
Segundo os organizadores, o evento reflete "a frustração e o alarme" que muitos americanos sentem em relação às políticas que "minam as instituições democráticas e o Estado de direito".
O grupo "Indivisible Porto" é uma comunidade de voluntários americanos que vivem no Porto e noutras zonas do país, dedicada "a proteger e promover a democracia".
A manifestação visou também encorajar um maior envolvimento cívico entre os americanos que vivem no Norte de Portugal, incluindo o contacto com os representantes eleitos e a participação nas próximas eleições nos EUA.
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