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Correio da Manhã

Sociedade
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Anemia afecta vida sexual dos doentes

Cansaço, alterações de humor, insónias, falta de concentração, queda de cabelo, unhas frágeis e fraca apetência sexual são alguns dos sintomas da anemia, doença que resulta do reduzido número de glóbulos vermelhos, cuja função principal é transportar oxigénio para os tecidos do corpo. Pode ser temporária ou permanente e variar entre o leve e o severo. Muitas vezes é confundida com um mero cansaço.

30 de Dezembro de 2012 às 01:00
Há casos de anemia em que é necessária uma transfusão de sangue
Há casos de anemia em que é necessária uma transfusão de sangue FOTO: Toby Melville/Reuters

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que uma em cada quatro pessoas tem anemia, patologia considerada como um grave problema de saúde pública. Segundo o presidente da Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia, o imuno-hemoterapeuta António Robalo Nunes, a "doença, que afecta crianças e idosos, é ainda muito subvalorizada" tanto pelas pessoas como pelos médicos.

"Quando há uma patologia associada opta-se por tratar a primeira doença e deixa-se para segundo plano a anemia", explica o especialista, sublinhando que tratar a anemia deve ser também prioritário porque melhora a capacidade do organismo em reagir à outra doença. Além disso, uma simples análise de rotina pode ajudar a detectar a doença.

Ao CM, o especialista explicou que existem normalmente duas grandes causas da anemia: "Pode ter origem carencial, por deficiência de algum tipo de nutriente, como o ferro, ou em doenças crónicas, como as oncológicas e as cardíacas".


O MEU CASO: VERA BRÁS

"ACHAVA QUE ERA SÓ CANSAÇO"

Vera sentia um cansaço extremo que a impedia de fazer muitas coisas e afectava até o seu ritmo de trabalho e boa disposição. "Estava cada vez mais pálida, mas achava que era só cansaço" do dia-a-dia e por isso não foi logo ao médico. Os episódios de perdas de sangue extremas associadas à menstruação levaram-na a fazer análises de rotina. Quando o médico as viu, os valores confirmaram uma anemia grave. Tinha 31 anos.

O tratamento implicou receber ferro por via intravenosa – fez quatro sessões – e uma alimentação mais completa com alimentos que lhe fornecem esse nutriente. "Como beterraba e espinafres, por exemplo", conta Vera Brás, acrescentando que voltou a fazer uma vida normal. Sempre que anda mais fraca vai ao médico e recebe o tratamento de ferro. Cada sessão dura 40 minutos. "Mas sinto logo diferença. O corpo ganha força", afirmou, sublinhando que por ter um caso semelhante na família devia ter ido ao médico mais cedo.

PERFIL

Vera Brás tem 34 anos, é administrativa e vive em Alverca. A doença foi-lhe diagnosticada há três anos.

DISCURSO DIRECTO

"MÉDICOS ATENTOS", António Robalo Nunes, Imuno-hemoterapeuta

Correio da Manhã – A maioria das anemias tem tratamento?

António Robalo Nunes – Sim, desde que tenham um diagnóstico correcto. Os médicos devem estar atentos.

– Há vários tipos de anemia?

– Sim. As de causa carencial, nomeadamente de ferro, que é a campeã absoluta. Há a megaloblástica ou perniciosa, que tem a ver com uma deficiência de ácido fólico e vitamina B12. A falciforme é genética e causa a destruição dos glóbulos vermelhos e a aplástica quando a medula óssea diminui a produção de células.

– Qual a mais perigosa?

– Esta última, porque o tratamento é complicado. É feito com transplante de medula óssea e transfusão de sangue. 


CONSULTÓRIO CM: MEDICINA DENTÁRIA

CUIDE DA HIGIENE DA SUA BOCA DIARIAMENTE, Por Dr. José Pedro Jacinto 

Com que frequência se deve fazer o branqueamento dos dentes?, Daniela Justino, Santiago do Cacém

Não existe precisão relativamente à frequência com que se deve fazer um branqueamento, no entanto, se for bem executado pelo médico e se o paciente tiver os cuidados recomendados, quer em termos de higienização, quer em termos de alimentação, poderá durar até dois anos. Obviamente que durante este período os dentes vão criar nova pigmentação, mas nunca como no estado inicial. Se for fumador, o ideal é fazer um branqueamento anualmente.

Problemas na boca podem provocar outras doenças? Quais?, Alberto Santos, Alverca

Existem várias doenças relacionadas com problemas de origem bucal. Lesões na gengiva, língua e dentes cariados criam bactérias ao nível do organismo que, posteriormente, se podem alojar através da corrente sanguínea e desta forma provocar algumas doenças, das quais as mais comuns são as pulmonares, cardíacas e complicações de diabetes. É aconselhável fazer uma higienização oral com regularidade.

Há algum factor que condicione fazer um implante dentário?, Joaquina Andrade, Vila Nova de Gaia

Não existem factores que condicionem a colocação de implantes, deve ter-se, no entanto, algumas considerações: Deve evitar-se na puberdade, enquanto há crescimento ósseo do maxilar; no caso de fumadores, o cigarro pode prejudicar o processo de osteointegração do implante e nesta situação o paciente tem de estar consciente de que deve diminuir ou parar o hábito durante as fases de tratamento; em pacientes diabéticos, desde que a doença esteja controlada, não existe qualquer contra-indicação; se a quantidade de osso não for adequada é também possível promover o crescimento ósseo.

Já parti dois dentes. A que se deve?, António Esteves, Braga

É importante a observação pelo seu médico. Podem ser vários os motivos que levam a que os seus dentes partam, nomeadamente, um problema relacionado com má oclusão dentária, por exemplo, bruxismo do sono, que é um distúrbio caracterizado pelo apertar e ranger dos dentes, de forma involuntária.

SAÚDE ANEMIA SANGUE
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