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Ansião com mais de 100 realojados precisa de telhas e mão-de-obra

Município mantém 35% do seu território sem energia.

04 de fevereiro de 2026 às 11:26

Mais de uma centena de pessoas foram realojadas no município de Ansião, que mantém 35% do seu território sem energia, disse à Lusa o presidente da câmara, pedindo "muitas telhas" e mão-de-obra qualificada.

"Temos mais de uma centena de pessoas realojadas, fora as que não nos foram comunicadas, porque estão com familiares e amigos ou vizinhos. Temos pessoas em IPSS [Instituições Particulares de Solidariedade Social] e no quartel dos Bombeiros" Voluntários de Ansião, disse à Lusa o presidente Jorge Cancelinha.

O autarca precisou que no quartel dos bombeiros estão sobretudo cidadãos que precisam de aparelhos de suporte ou auxílio ao sono ou de terapia de oxigénio que carecem de energia elétrica estável para o seu bom funcionamento.

"Há muita gente a dormir em casa por resistência, mesmo a chover lá dentro, mas estamos a monitorizar constantemente, até porque esta noite foi bastante agressiva e estamos a fazer essa avaliação", referiu.

Na manhã desta quarta-feira, "ainda faltava restabelecer 35% da rede elétrica, o equivalente a mais de 2.500 residências, ainda que os outros 65% estão a ser alimentados a geradores, ou seja, soluções provisórias que não permitem ter grande estabilidade energética".

"Uma situação que se vive há uma semana, muitas destas residências também estão sem água, porque é necessária energia para o motor funcionar e bombear a água para as habitações mais elevadas".

Ainda assim, o município de Ansião, no distrito de Leiria, "tem praticamente 90% do território com abastecimento de água" na rede.

"As comunicações estão muito instáveis, há postos provisórios que as operadoras montaram, mas ainda assim é deficitário. Há muita gente sem televisão nem internet, mesmo na sede do concelho", indicou.

O presidente disse que o Município de Ansião disponibilizou locais para que as pessoas "possam estar em teletrabalho e são várias as que estão nesses espaços" como, por exemplo, o Centro Cultural de Ansião.

Neste momento, o que Ansião "mais precisa é de mão-de-obra qualificada, porque os meios locais estão todos requisitados e, por isso, toda a ajuda externa que chegar, será uma boa ajuda" o que, disse, "felizmente, tem acontecido, mas é precisa mais".

"Também precisamos, essencialmente, de telhas. Há telhas de imensos tipos, há uma diversidade enorme de tipologia de telhados, portanto, todas as telhas que nos fizerem chegar serão bem-vindas. Estamos a acolhê-las no nosso estaleiro municipal, para as identificar e fazer chegar a quem delas necessitar", indicou Jorge Cancelinha.

Também esta quarta-feira, o concelho tem "cinco escolas e jardins-de-infância abertos e em funcionamento para atividades de apoio às famílias".

Dez pessoas morreram desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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