Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
5

António Barreto: “Poderes políticos não se interessaram pela missão das universidades”

“Os poderes políticos não se interessaram sobre a missão das universidades. O Governo e a Assembleia da Republica estão ocupados com a gestão das finanças e não discutem o horizonte e o caminho a seguir. O que parece urgente são as dificuldades, a crise, a miséria, a fuga de cérebros. Verdadeiramente essencial é responder à pergunta: que universidade queremos ter dentro de duas ou três décadas?”, defendeu esta quarta-feira António Barreto.
2 de Novembro de 2011 às 21:55
António Rendas, reitor da Universidade Nova de Lisboa
António Rendas, reitor da Universidade Nova de Lisboa FOTO: Filipa Couto

No âmbito da cerimónia do Dia da Nova 2011, na qual se assinalou o 38º aniversário da Universidade Nova de Lisboa, o sociólogo alertou, na sua qualidade de orador convidado, para o facto de as universidades portuguesas terem vindo a ser desvirtuadas quanto à sua finalidade e propósito.  

“Vivemos 20/30 anos de decisões ao curto prazo. Inventaram-se cursos sem critério ou sensatez. Temos de parar e retomar três missões que a universidade tem vindo a descurar: a ciência, a cultura e a cidadania”, declara, acrescentando. “ A ciência foi retirada das universidades, passou a ter regras próprias, dinheiros e bolsas diferentes. Para a ciência houve tudo e isso não teve consequências positivas no ensino. É preciso trazer a ciência Por outro lado, “as universidades têm hoje um papel medíocre na aquisição cultural”. Como tal, “era preciso que as universidades se preocupassem menos com a especialização profissional e mais com a multidisciplinaridade”.   

Partindo do pressuposto de que as universidades são o meio privilegiado para o debate, a discussão de ideias, o pensamento crítico, António Barreto considera que “nenhum problema do país devia ser estranho às universidades. Houve vários casos polémicos, de grandes planos, tais como o TGV, o plano de urbanismo, o aeroporto de Lisboa, nos quais as universidades participaram pouquíssimo ou nada. As universidades têm de retribuir ao país o que lhes deve”. 

No final, o sociólogo lançou ainda um desafio. “As universidades teriam um papel determinante se conseguissem reflectir em comum a estratégia do seu futuro e apresentar um plano a médio longo prazo com o qual pudessem comprometer-se. Seia um excelente precedente” no nosso país.  

universidade nova antónio barreto antónio rendas
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)