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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

APA tem dois dias para preparar albufeiras para "semana muito complicada"

IPMA prevê um período prolongado de chuva na próxima semana em todo o território continental, mas sobretudo no norte e centro, regiões atingidas pelo mau tempo nos últimos dias.

30 de janeiro de 2026 às 17:45

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) reconheceu esta sexta-feira que tem os próximos dois dias para preparar as albufeiras para a próxima semana, que será "muito complicada" face à previsão de chuva em todo o território continental.

"Vamos ter uma semana muito complicada e temos dois dias, que é a nossa janela de tempo, para nos prepararmos para esta semana muito difícil", referiu José Pimenta Machado, numa conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras.

Segundo adiantou, no sábado e parte de domingo, altura em que não está prevista grande precipitação, serão preparadas as albufeiras para ganharem encaixe, tendo em conta os picos de chuva previstos para segunda, quarta e quinta-feiras.

"Nestes dias vamos provocar pequenas cheias para não termos uma cheia descontrolada", salientou o presidente da APA, adiantando que isso será feito numa gestão articulada com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a Proteção Civil e os municípios.

O IPMA prevê um período prolongado de chuva na próxima semana em todo o território continental, mas sobretudo no norte e centro, regiões atingidas pelo mau tempo nos últimos dias.

José Pimenta Machado admitiu que as previsões para a próxima semana são preocupantes, tendo em conta a "sequência de várias tempestades sucessivas" que têm atingido o país, assim como a situação dos solos que estão "completamente saturados" neste momento.

O responsável da APA referiu ainda que o degelo da neve que se depositou na Serra da Estrela vai resultar em "mais água para o Mondego e para o Zêzere, que é mais uma dificuldade adicional".

Além disso, os incêndios de agosto e setembro, que afetaram a zona centro, fizeram com que os solos não tenham vegetação suficiente para reter a água, salientou José Pimenta Machado, que considerou que "correu bem" a grande maioria das situações de controlo das albufeiras para minimizar cheias nos últimos dias.

A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.

Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.

Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.

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