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Correio da Manhã

Sociedade

Aparelho corrige batimentos cardíacos

Aparelho sofisticado ressincroniza o coração.
Cláudia Machado 15 de Maio de 2016 às 13:14
Procedimento pode durar cerca de duas horas
Procedimento pode durar cerca de duas horas FOTO: Pedro Catarino
O que está dentro deste aparelho é o equivalente médico ao Homem ter chegado à Lua." Pedro Silva Cunha, médico cardiologista do Hospital de Santa Marta, em Lisboa, é categórico ao descrever o ressincronizador cardíaco, um "pacemaker muito mais sofisticado" que se destina a doentes com insuficiência cardíaca. É a última solução para o coração doente, quando os medicamentos já não resultam.

O ressincronizador cardíaco é composto por um gerador, que será responsável por enviar os estímulos para o coração, e pelos elétrodos - dois a três fios muito finos -, que encaminham essa energia. A este dispositivo é ‘vestido’ um envelope feito de malha absorvível, destinado a doentes com alto risco de infeção e que vai libertando antibióticos na fase mais crítica da recuperação e cicatrização.

A sofisticação do aparelho traduz-se na sua ação: "Tem capacidades adicionais a um pacemaker, controlando o ritmo do coração, não deixando que este fique excessivamente lento, mas pode também atuar como um desfibrilhador, que protege da morte súbita", explica ao CM o especialista.

Apesar dos elevados custos desta tecnologia, Pedro Silva Cunha salienta que "o benefício é muito maior, até porque se verifica uma grande melhoria em cerca de 70 a 80 por cento dos doentes". Têm, assim, "uma enorme recuperação da qualidade de vida", reduzindo-se os encargos com as complicações associadas à insuficiência cardíaca, que levam muitas vezes a internamentos hospitalares.

A intervenção começa com a colocação dos elétrodos no coração, através dos vasos. Este momento poderá ser o mais complicado, adaptando-se os instrumentos à estrutura do doente. Depois, fazem-se testes e programa-se o dispositivo também conforme as reações obtidas. O gerador é colocado na zona da clavícula, sob a pele, e os estímulos podem finalmente transitar, garantindo qualidade de vida ao doente.
Pedro Silva Cunha Hospital de Santa Marta Lisboa saúde doente
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