Relatório aponta para uma produção eólica de 13,5 terawatts-hora (TWh) em 2025, equivalente a 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental.
Portugal pode perder investimento para outros mercados se continuar a adiar decisões sobre eólica no mar ('offshore'), alertou a APREN, no âmbito da divulgação de um estudo sobre parques eólicos.
Em declarações à Lusa, a propósito do relatório "Parques Eólicos em Portugal", divulgado esta segunda-feira no Dia Mundial do Vento, a coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), Susana Serôdio, disse que continua a existir interesse dos promotores na eólica no mar.
O relatório, elaborado pelo INEGI - Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial - em parceria com a APREN, aponta para uma produção eólica de 13,5 terawatts-hora (TWh) em 2025, equivalente a 25,4% do consumo de eletricidade em Portugal continental.
Questionada sobre o leilão para a eólica 'offshore', que tem sofrido atrasos, Susana Serôdio afirmou que continua a haver "bastante contacto com algumas empresas que manifestaram logo interesse desde o início", mas admitiu que os primeiros projetos só deverão surgir depois de 2030, mesmo que o processo avance rapidamente.
"Se as coisas fossem agilizadas e se entretanto [houvesse] o procedimento e um calendário, provavelmente [...] só iríamos ver os primeiros projetos depois de 2030", afirmou, apontando para o "início de 2030, 31, 32".
Para Susana Serôdio, o atraso no lançamento do leilão pode fazer Portugal perder uma janela de oportunidade, numa altura em que outros mercados se estão a posicionar.
"Ao atrasarmos esta decisão, enquanto outros mercados se posicionam, podemos estar a perder investimento que poderia vir para os projetos nacionais e que vão acabar por ir para outros, bem como alguma cadeia de valor ligada à eólica 'offshore'", afirmou.
Segundo a responsável, Espanha tem conseguido posicionar-se mais rapidamente, o que pode condicionar a capacidade de Portugal atrair projetos e investimento no mercado ibérico.
"O que estamos a ver [...] é que, efetivamente, Espanha está a conseguir sempre dar um passo à frente do nosso", disse.
A APREN defende ainda que Portugal deve olhar para modelos usados noutros mercados europeus para viabilizar novos projetos eólicos, como contratos de aquisição de energia diretamente com consumidores, os chamados PPA, e contratos por diferenças, ou CfD.
"Olhando para a Alemanha e para outros mercados, estão com uma aposta muito grande efetivamente nos CfD tanto para projetos novos como para projetos de reequipamento", afirmou.
No caso dos PPA, a responsável apontou Espanha como exemplo, referindo que o país "apostou muito" neste tipo de contratos e tem instalado "à volta de um gigawatt por ano" nos últimos três anos.
Em Portugal, o principal obstáculo aos PPA é o tecido empresarial, composto sobretudo por pequenas e médias empresas, cujas condições financeiras nem sempre dão estabilidade suficiente para tornar os projetos financiáveis, explicou.
"Aqui temos discutido muito com o Governo que seria necessário alguma garantia sobre estes PPA, que se acontecesse alguma coisa àquela empresa havia aqui alguma segurança até se encontrar outro consumidor", disse.
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