Câmara Municipal identificou um total de 1.400 consumidores.
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As freguesias de Arroios, Beato e Campo de Ourique concentram o maior número de toxicodependentes na cidade de Lisboa, revela esta quinta-feira um estudo pedido pela Câmara Municipal, que identificou um total de 1.400 consumidores.
A apresentação dos "diagnósticos sobre consumos de substâncias psicoativas na cidade de Lisboa e repostas a implementar" decorreu hoje nas instalações da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.
O estudo é da responsabilidade das associações 'Crescer', 'Ares do Pinhal', 'Grupo de Ativistas em Tratamentos' (GAT) e 'Médicos do Mundo', e realizado entre setembro do ano passado e janeiro deste.
Na apresentação, Américo Nave (da Associação Crescer) apontou que os 1.400 consumidores identificados são aqueles com os quais "as equipas já contactaram", mas a "estimativa é que os números [reais] são superiores".
Segundo os dados apresentados, dos total de toxicodependentes identificados, 80% são homens e a média de idades é superior a 40 anos (perto de 44 anos).
Américo Nave afirmou que a "maioria tem nacionalidade portuguesa", sendo que "35% se encontram em situação de sem-abrigo".
Quanto aos consumos, heroína e cocaína são as principais drogas utilizadas, pelo que o estudo conseguiu identificar que 30% do consumo é injetado e 70% fumado.
O diagnóstico permitiu identificar que as zonas central e oriental da cidade são aquelas onde há maior número de consumidores de estupefacientes, sendo que na freguesia de Arroios foi possível encontrar 325, no Beato 320, 250 em Santa Maria Maior e 175 na freguesia da Penha de França.
Já na zona ocidental, as equipas encontraram 303 pessoas que consomem drogas na freguesia de Campo de Ourique, 60% das quais cocaína e 40% heroína. Do total, 15% encontram-se em situação de sem-abrigo.
Na zona norte de Lisboa, o diagnóstico registou 270 toxicodependentes na freguesia do Lumiar, sendo que destes, 54% usam cocaína e 46% heroína. Destes, 18% estão em situação de sem-abrigo.
Com base neste diagnóstico, a Câmara Municipal de Lisboa vai implementar, até ao início de 2019, duas salas de consumo assistido fixas, que ficarão localizadas na Avenida de Ceuta (nas traseiras da estação de tratamento de águas), e no Lumiar (numa zona não habitacional, junto do eixo norte-sul).
A par destes equipamentos, uma unidade móvel irá percorrer as zonas oriental e central da cidade.
Falando aos jornalistas à margem da apresentação, o vereador dos Direitos Sociais, Ricardo Robles (BE), apontou que a estrutura do Lumiar terá um "caráter provisório", enquanto na zona do Vale de Alcântara "será reabilitado um espaço que já é um espaço municipal".
Questionado sobre qual o investimento destinado a esta medida, Robles escusou-se a avançar um número, elencando que cada um destes programas de consumo vigiado "terá o seu próprio orçamento de implementação e funcionamento".
Robles advogou também que esta "é uma resposta inovadora no país, mas que existe há mais de 30 anos na Europa", onde existem mais de 90 destes equipamentos, com registos positivos.
Questionado sobre a receção da população às salas de consumo assistido, o vereador salientou que a comunidade "quer uma resposta efetiva" para retirar o consumo da via pública.
Apesar de a legislação para esta temática remeter a 2001, o eleito bloquista considerou que a medida irá avançar agora porque atualmente "há um consenso político que é preciso", e que "nunca foi encontrado junto da administração central e do município".
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