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Correio da Manhã

Sociedade

Associação ambientalista pede mais financiamento para prevenção dos incêndios

ANP alertou ainda que Portugal não está preparado para os eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
Lusa 21 de Julho de 2022 às 17:39
Bombeiros combatem incêndio florestal
Bombeiros combatem incêndio florestal FOTO: Ricardo Ponte
A Associação Natureza Portugal, em associação com a WWF (ANP/WWF), pediu esta quinta-feira o reforço do financiamento direcionado à prevenção de incêndios, alertando que Portugal não está preparado para os eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

"Os eventos climáticos extremos vão ser cada vez mais frequentes e cada vez mais graves, no entanto continuamos a não estar preparados para as consequências que daqui advêm", aponta a diretora de políticas e conservação ANP/WWF em comunicado.

No entender de Catarina Grilo, apesar da situação de incêndios rurais em Portugal, o país "não está ainda inteiramente preparado para o risco associado às temperaturas elevadas", incluindo no que respeita à gestão do território e da paisagem.

Perante esse diagnóstico, a ANP/WWF defende a necessidade urgente de medidas de adaptação e mitigação dos fenómenos climáticos extremos e o reordenamento da paisagem, medidas com vista à prevenção de incêndios.

Em concreto, a associação ambientalista aponta, desde logo, como medida necessária o reforço do financiamento destinado, por exemplo, ao Programa de Transformação da Paisagem, que considera insuficiente em termos de abrangência geográfica, e a reformulação do Plano Estratégico para a Política Agrícola Comum.

Sobre a gestão e ordenamento da paisagem, refere a aposta na paisagem em mosaico, que diz ser mais eficiente aos grandes incêndios, a aposta na gestão ativa de florestas de produção e na remuneração por serviços de ecossistema a quem se comprometer com a gestão da floresta responsável.

A ANP/WWF defende também limites ao uso do eucalipto não gerido, que a paisagem seja repensada também ao nível da pastorícia, a reorganização das populações dispersas para acautelar a função económica de cada território, e a certificação floresta.

Catarina Grilo sublinha ainda a importância de intervir nas áreas ardidas com o objetivo de estabilizar o solo, promover mosaico da paisagem e recuperar a biodiversidade.

"Na sequência de um grande incêndio, além de se reverem as falhas na capacidade de extinção e na resposta a emergências, devem ser envidados esforços para recuperar a paisagem, abordando as principais causas e promovendo a adaptação e a resiliência social e ambiental", refere.

Este ano, os incêndios florestais já consumiram 57.940 hectares, mais do dobro do que em todo o ano de 2021, segundo dados provisórios do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

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