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Associação repudia "imposição" de nova servidão administrativa em Boticas

Savannah Resources quer explorar lítio na área de Covas do Barroso, concelho de Boticas, no norte do distrito de Vila Real.

06 de maio de 2026 às 18:20

A associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso (UDCB) repudia "a imposição" de uma segunda servidão administrativa que concede à Savannah acesso a terrenos privados e baldios no âmbito da mina de lítio, em Boticas.

"A servidão administrativa permite à empresa ocupar terrenos privados e comunitários à revelia da vontade dos proprietários privados e dos compartes dos baldios. Associada ao projeto da mina do Barroso, esta é já a segunda servidão administrativa imposta em Covas do Barroso e Romainho", afirma em comunicado enviado esta quarta-feira à agência Lusa.

Um despacho publicado quarta-feira em Diário da República (DR), assinado pelo secretário de Estado Adjunto e da Energia, Jean Paulo Gil Barroca, refere que o Governo determinou declarar a utilidade pública da constituição de servidão administrativa, pelo prazo de um ano a contar da posse administrativa, nos termos do n.º5, sobre 24 parcelas, abrangendo uma área de cerca de 228 hectares de terrenos privados e baldios.

A Savannah Resources quer explorar lítio na área de Covas do Barroso, concelho de Boticas, no norte do distrito de Vila Real.

O Ministério do Ambiente já tinha autorizado uma primeira servidão em dezembro de 2024, que levou à apresentação de uma providência cautelar, por parte de proprietários de terreno, e à suspensão dos trabalhos de prospeção durante 15 dias em fevereiro de 2025.

A UDCB alerta para o "aumento desmedido da nova área abrangida pela servidão", representando "uma ocupação 172 vezes superior à área licenciada" anteriormente.

"Esta é uma realidade profundamente danosa para a população local, que depende do acesso às terras de pasto e áreas comunitárias para a sua subsistência. Condiciona-se assim um modo de vida local, presente na região há gerações e considerado Património Agrícola Mundial", realça.

A associação repudia "a imposição desta nova servidão administrativa" e disse que a comunidade local e proprietários privados "não esquecem os abusos" levados a cabo durante a primeira fase, autorizada no final de 2024.

"Nomeadamente os trabalhos executados pela empresa fora da área licenciada, impedimentos de circulação dos residentes no baldio e a instalação de seguranças privados na aldeia, criando-se desta forma um clima de vigilância à população local", concretizou, lançando ainda críticas à atuação da GNR neste processo.

Para a UDCB, esta nova servidão administrativa "repete e agrava o abuso de autoridade que tem pautado todo o processo à volta do projeto da mina do Barroso", contestando a "normalização de medidas de tal agressividade como forma de implantação de um projeto contrário à vontade da população".

"Esta é uma decisão anómala que deve ser encarada como tal. Da mesma forma, não aceitamos que a transição energética seja utilizada para reduzir os direitos democráticos da nossa população local", afirma.

Referindo ainda que, "contrariamente ao discurso da empresa, o projeto não tem o aval da população local" e que a "necessidade de recorrer a uma servidão administrativa para forçar entrada em terrenos privados e baldios exemplifica o que tem sido uma conduta de intimidação e agressão por parte da empresa".

"A este assédio à comunidade acresce o abandono do Governo às populações que afirma representar, colocando-se constantemente numa posição servente de uma empresa privada. Não reconhecemos qualquer legitimidade política a esta servidão administrativa", sublinha a UDCB, garantindo que continuará a trabalhar para travar este projeto.

O projeto mineiro foi viabilizado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), com a emissão de uma Declaração de Impacte Ambiental (DIA) favorável condicionada em 2023.

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