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Correio da Manhã

Sociedade
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"Não morremos porque não calhou", conta portuguesa repatriada de Moçambique

Maria Lopes veio no grupo de sete portugueses que chegaram na madrugada desta segunda-feira a Lisboa.
25 de Março de 2019 às 01:09
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Maria Lopes sentiu a vida em perigo. É uma das sete pessoas repatriadas para Portugal.
Os sete portugueses repatriados de Moçambique aterraram no Aeroporto de Lisboa cerca das 01h15 desta madrugada de segunda-feira. O ministro dos negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva, esteve no local para receber os sete cidadãos.

No local, a CMTV conseguiu apurar que dos sete cidadãos, cinco são homens, um adolescente de 15 anos e há também uma mulher.

"Não morremos porque não calhou", disse a portuguesa Maria Lopes em declaração aos jornalistas, afirmando também que este foi um período que nunca irá esquecer. "O vento levou tudo, vocês não imaginam", avançou a mulher que viajou acompanhada pelo seu marido e neto de 15 anos.

À saída do avião fretado pelo Governo português para trazer sete cidadãos nacionais emigrados em Moçambique, e que aterrou na base militar de Figo Maduro, em Lisboa, por volta das 01h00, Maria Lopes ouviu umas breves palavras de conforto do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Natural de Lamego, mas com grande parte da vida vivida em Almada, Maria Lopes partilhou a sua experiência com a passagem do Idai por Moçambique, onde estava há cinco anos.

"Começou a chover. Depois, durante a noite, até à meia-noite, [foi] muito agressivo e parecia que aquilo ia abrandar, mas depois, até perto das quatro da manhã não dá. O vento virou ao contrário, era só levantar tudo, telhados, tudo", contou.

A passagem do Idai, que inundou uma área de cerca de 1.300 quilómetros quadrados, só em Moçambique, levou a que a habitação de Maria Lopes ficasse sem água e luz.

Augusto Santos Silva no Aeroporto
O número de portugueses desaparecidos em Moçambique "já é inferior a 10 pessoas", avançou o ministro dos negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva, em declarações aos jornalistas na Base Aérea de Figo Madura, na madrugada desta segunda-feira.

O governante foi receber os sete portugueses que pediram para ser repatriados de Moçambique. O avião que os traz de volta ao País tem chegada prevista para a madrugada desta segunda-feira, num avião que foi fretado pelo Estado português e que chegou à cidade da Beira, no sábado, com carga e elementos da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

O Ciclone 'Idai' afetou 537 mil pessoas em Moçambique, país para o qual Portugal enviou várias equipas de militares, especialistas de Proteção Civil e pessoal de apoio médico de emergência.
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