Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
2

Aumentam consultas do viajante

Os dados do primeiro semestre não estão ainda contabilizados, mas os médicos não têm dúvidas de que os emigrantes que vão trabalhar para África, nomeadamente Angola, são os que cada vez mais procuram a consulta do viajante nos centros de vacinação internacional.

17 de Agosto de 2008 às 00:30
Por vezes, vão à consulta do viajante famílias inteiras
Por vezes, vão à consulta do viajante famílias inteiras FOTO: Sónia Caldas

Ao todo, em 2007, mais de 25 mil pessoas foram a esta consulta, prevendo-se que este ano seja ultrapassada a fasquia das 35 mil pessoas.

Para a médica Gabriela Saldanha, especialista em doenças tropicais e que atende mais de uma centena de pessoas por semana na Unidade de Saúde dos Guindais, no Porto, este aumento "tem certamente a ver com a crescente emigração de portugueses para África, particularmente para Angola, e também com a maior procura de destinos tropicais como locais de férias".

Sublinhando a importância da realização desta consulta para quem viaje para destinos potencialmente perigosos, como Angola, Moçambique, Índia, Brasil, S. Tomé, Guiné ou Tailândia, entre outros, Gabriela Saldanha assegura que a profilaxia da malária ou a vacina da febre amarela "pode poupar enormes transtornos ou mesmo a vida de quem viaja".

Recomendando a consulta especializada a todos os que rumem a África, Ásia e América Latina, sublinha que a devem fazer sobretudo aqueles que lá vão passar longas temporadas. "Os missionários, que vão quase sempre para zonas do Interior, e os emigrantes, nomeadamente aqueles que vão trabalhar para fora das cidades, devem fazer a consulta e levar aquilo a que chamamos a farmácia do viajante, adequada ao local, tempo de estadia e actividade do viajante", explicou a médica.

A malária, a dengue e a febre amarela são as preocupações fundamentais que quem viaja deve ter. As grávidas devem ter especiais cuidados, já que são mais "desejadas" pelo mosquito. De resto, os médicos recomendam muitos cuidados com a água (sempre engarrafada) e com a alimentação.

ANGOLA JÁ É O PRINCIPAL DESTINO

No turismo ganha o Brasil, a Tailândia ou S. Tomé. Só que são cada vez mais os portugueses que vão trabalhar para Angola, sobretudo para a construção civil. Pelo menos no Norte do País são tantos os que vão trabalhar para Angola como os turistas que se dirigem aos centros de vacinação internacional. Na Unidade de Saúde dos Guindais, Porto, na semana passada, foram mais de 40 os consultados que tinham Angola como destino.

PERGUNTAS & RESPOSTAS

Rosa Teodósio é médica da Unidade de Clínica de Doenças Tropicais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, em Lisboa.

Correio da Manhã – Quantas pessoas viajam sem recorrer a uma consulta?

Rosa Teodósio – Não temos dados concretos, mas sabemos que é ainda a maioria. Dados recolhidos em 2001 na população da zona de Lisboa mostram que cerca de 50% tem algum tipo de aconselhamento, mas destes só metade recorreu a um médico.

– Quais são as doenças mais frequentes?

– A diarreia do viajante, que atinge entre 50 e 70% das pessoas. Mas, na maior parte dos casos, não tem gravidade. Pode ser evitada com cuidados de higiene alimentar. É sempre de evitar os vendedores ambulantes, as saladas e comidas por cozinhar e as bebidas com água e gelo.

– Não é possível pedir a uma pessoa que vai para um país tropical que não coma fruta ou beba sumos?

– Eu só posso aconselhar. A decisão final é sempre do viajante. Nas consultas, tentamos fazer passar a ideia do risco, consoante o tipo de viagem. É importante que conheçam os sintomas das doenças, como a malária, que no início se assemelha a uma gripe. E que tomem a medicação até ao fim, mesmo no regresso.

– Quais são os grupos de risco?

– Os migrantes (quem é dos PALOP e vive em Portugal perde a imunidade), os jovens abaixo dos 30, os doentes crónicos e os idosos.

NOTAS

MADEIRA

O clima é propício e só um aturado trabalho de saúde pública tem impedido casos de malária na ilha da Madeira.

BRASIL

Após a epidemia de dengue no Rio de Janeiro, o que mais preocupa agora é a febre amarela, sobretudo no Interior.

REPELENTES E REDES

Éuma das formas mais eficazes de evitar a picada do mosquito da dengue ou da malária. Assim como redes mosquiteiras.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)