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Correio da Manhã

Sociedade
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Aumento do cancro sem meios

Os serviços de saúde não estão preparados para o aumento dos casos de cancro esperados no futuro. Mas, se for aplicada a Carta de Princípios de Coimbra, poderá haver melhorias "em quatro, cinco anos", defende Jorge Espírito Santo, presidente do Colégio de Oncologia da Ordem dos Médicos. Para já, há abertura por parte do Ministério da Saúde para seguir as sugestões dos peritos ontem apresentadas num documento sobre o estado da Oncologia no País.
8 de Fevereiro de 2009 às 00:30
Por ano são diagnosticados 40 mil novos casos de cancro em Portugal
Por ano são diagnosticados 40 mil novos casos de cancro em Portugal FOTO: Pedro Catarino

"Há um problema organizativo e de falta de meios. Se nada for feito, há doentes que deixarão de ter acesso, ou então o sistema de saúde deixa de ser sustentável", refere o médico oncologista. Depois de traçarem uma radiografia das fragilidades existentes, o próximo passo deste grupo de médicos é elaborar critérios de qualidade para aplicar a todas as unidades que tratem doentes com cancro. Servirá como base para fazer auditorias e verificar se os doentes estão a ser bem acompanhados. Princípios que "devem ser aplicados ao público e ao privado". "Têm é que tratar bem os doentes, e garantir os tratamentos até ao fim. Se não conseguem, então não tratem", sustenta.

Um dos grandes desafios, explica Jorge Espírito Santo, é "fazer omeletas sem ovos", o que significa garantir tratamentos atempados, respeitando os prazos para estes doentes urgentes, sem médicos em número suficiente nem equipamentos em áreas como a radioterapia.

APONTAMENTOS

TRATAMENTO

Carta elaborada pela Ordem, e Sociedade Portuguesa de Oncologia considera "sofríveis" resultados no cancro.

MORTES E DIAGNÓSTICOS

Por ano, morrem em Portugal 22 mil pessoas com tumores malignos e há 40 mil novos casos diagnosticados.

FALTAM MEIOS

Oncologistas são metade dos necessários (há 110) e a radioterapia chega apenas para metade das necessidades (30 equipamentos e cerca de uma centena de clínicos).

TEMPOS DE ESPERA

Do diagnóstico ao início do tratamento, não deve ser ultrapassado um mês. Mas, em muitos hospitais, só a espera para cirurgia é mais demorada.

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