Autarquia lisboeta garante ainda que há resposta para toda a população sem-abrigo e recorda que aumentou o número de vagas de acolhimento.
A Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de Arroios desmentem os relatos que têm surgido de moradores, ativistas no terreno e representantes partidários, dando conta do aumento da população sem-abrigo naquela zona.
Em declarações à Lusa, Ana Jara, vereadora municipal eleita pelo PCP, assinala "vários focos" de pessoas sem-abrigo na freguesia.
Após as operações de realojamento feitas pela câmara lisboeta, que retiraram uma centena de sem-abrigo que pernoitavam em redor da Igreja dos Anjos, "continuam a estar ali pessoas na rua", relata a vereadora.
Luís, que vive numa tenda na Avenida Almirante Reis, a 300 metros da igreja, confirma: "Essas pessoas [realojadas] estão aí espalhadas, pelo Campo Mártires da Pátria, nessas ruas atrás da Graça, o Jardim da Graça [este na freguesia de São Vicente] está cheio deles (...) e a maior parte deles são cidadãos estrangeiros".
Luís relata que cedeu mantas e sacos-cama "para desenrascar" as pessoas que haviam sido realojadas pouco tempo antes.
Questionada pela Lusa, a Junta de Arroios contesta os relatos e garante que "a população sem-abrigo na freguesia de Arroios tem vindo a diminuir".
Segundo a contagem oficial, persistem 18 tendas no Regueirão dos Anjos, 12 tendas na Rua de Santa Bárbara e três tendas na Avenida Almirante Reis.
A junta afirma ainda que essas pessoas em situação de sem-abrigo "são as mesmas que já estavam nesses locais, antes da resolução do problema na Igreja dos Anjos".
A viver na rua desde 2021, Luís aponta o dedo às autoridades por aquilo que considera ser um tratamento desigual.
O realojamento -- diz -- foi proposto "apenas a um grupo de pessoas que se encontravam à volta da Igreja dos Anjos" e não se estendeu a quem estava nos arredores.
"Eu não estou muito longe daqui, se formos para cima não demoro dois minutos a chegar à minha tenda", estima.
"Não falaram comigo", lamenta. "A uns propuseram, a outros não", aponta, deixando outro exemplo: "Estive dois anos à espera de uma consulta de dentista e no final mandaram-me para o psiquiatra. (...) Enquanto outros vêm aqui buscá-los para os levar não sei aonde, vêm aqui trazê-los, vêm aqui buscá-los para almoçar, não sei onde, para uns há tudo e para outros não há nada".
A Câmara de Lisboa, através do gabinete da vereadora dos Direitos Humanos e Sociais, Sofia Athayde, estranha o relato, "uma vez que a equipa de rua que atua na zona de Arroios propõe reiteradamente a todas as pessoas em situação de sem-abrigo que aceitem as soluções de alojamento temporário".
A vereadora relembra que "a freguesia de Arroios é uma zona onde tradicionalmente se dirigem muitas pessoas em situação de sem-abrigo e de outros grupos socialmente vulneráveis, uma vez que nela se concentram vários serviços de apoio de diversas entidades".
A autarquia lisboeta garante ainda que há resposta para toda a população sem-abrigo e recorda que, no atual mandato, "aumentou o número de vagas [de acolhimento] em mais de 50%", tendo aprovado um investimento de 70 milhões de euros para os próximos sete anos.
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