Infecção na Europa faz 17 vítimas.
Os doentes infectados pela bactéria Escherichia coli (E.coli), que já causou a morte a 17 pessoas na Europa, não podem ser tratados com antibióticos porque estes medicamentos "facilitam a libertação de uma toxina" responsável pela destruição dos glóbulos vermelhos resultando em diarreia com sangue, falência dos órgãos e morte.
Dependendo da gravidade de cada ca-so, os tratamentos só podem ser feitos no internamento hospitalar, segundo o director-geral da Saúde, Francisco George. Por exemplo, se a bactéria destruir a função dos rins, o doente tem de fazer hemodiálise.
A origem da contaminação – já há mais de 1500 pessoas infectadas em vários países, uma centena das quais em estado grave – permanece um mistério para as autoridades europeias de saúde. Este desconhecimento levou as autoridades alemãs de saúde que investigam o caso a avisarem os consumidores para não comerem os vegetais crus que estão sob suspeita: pepino, tomate e as saladas prontas a comer.
Para prevenir a contaminação, dizem as autoridades alemãs, "não bastam as habituais medidas de higiene, como lavar, descascar ou pelar os vegetais". "Há sempre pequenas quantidades de germes que resistem e que podem desencadear uma infecção". Através do contacto das mãos ao descascar os vegetais, há o risco de propagação do germe na cozinha. A bactéria só é destruída se o vegetal for cozinhado.
Hospitais e médicos em Portugal estão preparados para receber doentes infectados. Francisco George afirma que "não há no País doentes suspeitos de terem contraído a infecção", e sublinha que "ainda não se chegou a uma conclusão nas investigações" em curso na Europa.
A Alemanha intensificou esforços para identificar o problema. "São muitos casos em análise, e esta situação, sem precedentes, é muito complexa. O facto de não se identificar a origem do problema é uma preocupação muito grande", afirma o director-geral da Saúde. Para já, fora de suspeita estão os pepinos espanhóis – a Comissão Europeia retirou ontem o alerta ao consumo destes alimentos.
VIAJANTES DEVEM REDOBRAR CUIDADOS
Os portugueses que viajem para a Alemanha, especialmente para o Norte daquele país, região onde está activo o surto da infecção provocada pela bactéria E. coli, são aconselhados a tomar as "mesmas precauções como se fossem viajar para o continente africano", alerta ao CM o presidente da Associação Portuguesa dos Médicos de Saúde Pública, Mário Jorge Rêgo. As medidas passam por não consumir alimentos crus e que não sejam lavados.
DISCURSO DIRECTO
"O NEGÓCIO VAI ABAIXO", João Rodrigues, Produtor hortícola, Miranda do Corvo
Correio da Manhã – Que consequências têm na produção as notícias sobre pepinos contaminados?
João Rodrigues – Vendia entre 40 e 50 quilos e, desde sábado, passei a vender meia-dúzia de quilos. E as pessoas que compram fazem-no a medo.
– E em relação aos restantes produtos hortícolas?
– Já começaram a falar no tomate e na alface. Se assim continuar, o negócio vai abaixo. Espero que descubram rapidamente o que é.
– O que poderá estar na origem do problema?
– Não tenho ideia. Não sei se terá a ver com os intervalos de segurança que é preciso respeitar devido ao uso dos químicos. Entre a aplicação de um produto e o consumo há um intervalo que tem de se respeitar.
TRANSMISSÃO ENTRE HUMANOS
A infecção pela bactéria E. coli transmite-se principalmente através do consumo de alimentos contaminados com fezes de animais, como as vacas, mas também é possível a transmissão directa pessoa a pessoa. Segundo a Direcção-Geral da Saúde, a transmissão da bactéria entre humanos pode acontecer através do contacto fecal/oral, como por exemplo através do manuseamento de fraldas (bebés, doentes ou idosos) e mãos mal lavadas e levadas à boca. Como medida de higiene, as autoridades de saúde aconselham a lavagem das mãos antes e após a ida ao WC.
PEPINO NACIONAL EM ANÁLISE
O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) está a inves-tigar amostras de pepino produzido em Portugal. Em declarações ao CM, o director-geral da Saúde, Francisco George, afirmou que as análises estão a ser feitas não porque haja suspeitas de eventuais contaminações mas por uma questão de "rigor". "Estão a ser feitas investigações a uma amostra de pepinos portugueses, a pedido do Ministério da Economia, para ter a certeza de que os nossos vegetais estão em condições de serem consumidos, e esta é uma medida de rigor que costuma ser feita", explicou o responsável. O INSA não revela, contudo, a origem das amostras em análise, por questões de confidencialidade. As análises, realizadas no laboratório do Porto, visam detectar a presença da bactéria E. coli, e no caso de se confirmar a sua presença o assunto será encaminhado para o departamento de doenças infecciosas do INSA.
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