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Correio da Manhã

Sociedade
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Bastonária da Ordem dos Enfermeiros recebeu mais de dez mil euros em deslocações

Inspeção deteta irregularidades na gestão que podem levar à destituição dos órgãos sociais.
Bernardo Esteves 28 de Julho de 2019 às 01:30
Inspetores da saúde entram na Ordem dos Enfermeiros: conclusões da sindicância foram agora conhecidas
A bastonária Ana Rita Cavaco
Ana Rita Cavaco com Marta Temido
Inspetores da saúde entram na Ordem dos Enfermeiros: conclusões da sindicância foram agora conhecidas
A bastonária Ana Rita Cavaco
Ana Rita Cavaco com Marta Temido
Inspetores da saúde entram na Ordem dos Enfermeiros: conclusões da sindicância foram agora conhecidas
A bastonária Ana Rita Cavaco
Ana Rita Cavaco com Marta Temido
A sindicância à Ordem dos Enfermeiros ordenada pelo Governo em abril, por causa do apoio à greve cirúrgica, e realizada pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), detetou situações ilegais e de aproveitamento de vantagem patrimonial por parte da bastonária Ana Rita Cavaco, que podem levar à destituição dos órgãos sociais.

A bastonária nega ilegalidades, questiona a independência da IGAS e acusa os inspetores de serem "desonestos e mentirosos".

O relatório, que já foi entregue à PJ, diz que a bastonária recebeu mais de 3 mil euros por mês em junho, agosto e setembro de 2016 por deslocações em viatura própria, num total de 10 580 euros. Só em setembro foram 3940 euros, o que significa que fez 498 quilómetros por dia (0,36€/km). Para a IGAS, isto "indicia um complemento de remuneração e a não realização efetiva de deslocações em viatura própria".

"Eu não vou para Vila Real ou para o Algarve a pé. Para alguns locais vamos de avião ou comboio e para o estrangeiro não vamos a nado. São coisas normais, mas dá jeito ao Governo dizer que são anormais", disse ao CM Ana Rita Cavaco.

O relatório aponta o uso de cartões de débito com levantamentos diários de 400 euros em várias localidades para fins "aparentemente não destinados às finalidades e atribuições da OE". Questiona ainda o gasto de mais de 6 mil euros em refeições, e de compras no estrangeiro de 5586 euros. Há ainda despesas com cartões de crédito por explicar.

"Os inspetores são desonestos e mentirosos. Expliquei-lhes que temos dois cartões de crédito para comprar viagens e reservar hotéis e só um funcionário tem autorização para os utilizar", diz. Garante que os levantamentos estão justificados e os outros gastos se referem a "despesas de representação", mas recusa entregar documentos comprovativos à IGAS, por não lhe reconhecer "competência legal".

Acusada de participar em atividade sindical
"Há evidências da participação da bastonária e de membros dos órgãos sociais da OE em atividades de natureza sindical", refere o relatório da IGAS, que cita mensagens partilhadas por Ana Rita Cavaco num grupo do WhatsApp.

Ao CM, a bastonária garante que vai "continuar a apoiar os enfermeiros nas greves convocadas" e frisa que isso "não é exercer atividade sindical nem é uma violação da lei".

300 euros por ano em cabeleireiros e em lojas de roupa
Na sindicância à Ordem dos Enfermeiros, a IGAS aponta suspeitas de "vantagem patrimonial" com gastos em cabeleireiros e em diversas lojas de roupa, sem referir qual o valor em causa.

Ana Rita Cavaco sublinha que estão em causa "300 euros por ano em cabeleireiros e roupa", sublinhando que se trata de "despesas de representação que estão enquadradas legalmente". "Há três anos e meio que ouço esta conversa, é uma tentativa de assassinato de caráter."

PORMENORES
Governo não destitui
Ana Rita Cavaco nota que "não é o Governo que decide se há perda de mandato, é preciso uma decisão do tribunal", e lembra que nas eleições de novembro os enfermeiros decidirão se continuará como bastonária.

IGAS, polícia do Governo
Para a bastonária, a IGAS é a "polícia do Governo" e os elementos que investigaram "não são inspetores". "Um é funcionário do INEM e está sob alçada da ministra, outro é funcionário da Câmara de Coimbra. Precisam de consolidar a mobilidade e escrevem o que for preciso."

Relatório ‘apaga’ incêndios
"Deviam preocupar-se com o País a arder e as golas inflamáveis, mas dá jeito fazer ‘spin’ e lançar o relatório", diz a bastonária. O Ministério da Saúde está a analisar o relatório.
IGAS Ordem dos Enfermeiros Governo Inspeção-Geral das Atividades em Saúde Ana Rita Cavaco OE
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