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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Bastonário dos Médicos defende responsabilização de ministros no caso do hospital de S. João

"Chegou a hora de responsabilizar os ministros da Saúde e das Finanças por qualquer situação má que aconteça às crianças", declarou Miguel Guimarães.

13 de abril de 2018 às 18:52

O bastonário da Ordem dos Médicos afirmou esta sexta-feira que "chegou a hora de responsabilizar diretamente os ministros da Saúde e das Finanças por qualquer situação má que aconteça às crianças" atendidas na pediatria do Hospital de São João, Porto.

Miguel Guimarães disse à Lusa que o "caso muito grave" que acontece na ala pediátrica do São João, instalada em contentores há vários anos, "pode ter repercussões".

"Isto é desgastante, é degradante para todos, utentes e profissionais, e chegou a hora de responsabilizar diretamente o ministro da Saúde e o ministro das Finanças por qualquer situação má que possa acontecer a estas crianças", disse Miguel Guimarães, lamentando que as "promessas" por cumprir sejam "transversais aos vários Governos".

"As condições em que os utentes e os profissionais de saúde vivem não se explicam. Há transportes frequentes entre os contentores e o edifício sede do hospital. Há doentes horas à espera por uma ambulância do próprio hospital para percorrer 100 ou 200 metros. Isto é quase terceiro-mundista. É surrealista", disse Miguel Guimarães.

O bastonário da Ordem dos Médicos avançou que na próxima semana vai visitar este equipamento hospitalar que tem vindo a estar no centro das notícias pela falta de condições de atendimento e tratamento de crianças com doenças oncológicas, de acordo com denuncias feitas por pais de crianças doentes que falam, nomeadamente, de atendimento em corredores.

Na terça-feira, o presidente do Hospital de São João afirmou que as condições do atendimento pediátrico são "indignas" e "miseráveis", lamentando que a verba para a construção da nova unidade ainda não tenha sido desbloqueada.

Esta situação já desencadeou tomadas de posição por parte de vários partidos políticos e, confrontado com este cenário, na quarta-feira o Presidente da República garantiu que "há sensibilidade do Governo" para resolver a situação e que este irá contribuir para resolver o problema.

No mesmo dia, o ministro das Finanças escusou-se a revelar quando será concretizado o investimento na ala pediátrica.

"Hoje, já não é uma questão. O investimento na ala pediátrica no São João é uma garantia porque vai avançar", disse Mário Centeno aos deputados das comissões parlamentares da Saúde e das Finanças.

Mas, questionado várias vezes por diversos deputados sobre a data em que as Finanças irão libertar os 22 milhões de euros necessários para a construção da ala pediátrica do Hospital de São João, Mário Centeno limitou-se a referir que "há um pacote de investimentos que está a ser trabalhado entre o Ministério da Saúde e o Ministério das Finanças", que inclui o investimento da ala pediátrica no São João.

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