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Correio da Manhã

Sociedade
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Batalha diária contra excesso de peso

Problema crónico obriga doentes obesos a uma guerra diária.
Cláudia Machado 21 de Maio de 2016 às 15:23
Katia Aveiro tem comentado publicamente a sua luta contra o excesso de peso
Katia Aveiro tem comentado publicamente a sua luta contra o excesso de peso FOTO: Mariline Alves
Todos os dias, milhares de portugueses lutam contra uma doença que é ainda invisível para a sociedade, apesar de se refletir no corpo destes doentes.

A obesidade é um problema de saúde crónico e, por isso, sem cura, mas que pode ser controlado. Mesmo assim, o doente obeso convive diariamente com o preconceito de quem acredita que basta ‘fechar a boca’ para não engordar.


Katia Aveiro tem sido um dos nomes mais conhecidos a assumir abertamente a luta que travam contra o excesso de peso. Chegou a pesar 99 quilos, um número pouco saudável para a sua estrutura física. Recentemente, anunciou ter perdido mais de trinta quilos e tem partilhado os progressos e trabalhos nas redes sociais.

Mas entre o excesso de peso e a doença da obesidade atravessa-se uma luta de todos os dias, mesmo para quem já conquistou avanços. "Um doente ex-obeso é um obeso controlado. A obesidade é uma doença crónica. Existe sempre risco de recuperar o peso. É uma guerra diária e cansativa", explica ao CM Carlos Oliveira, presidente da Associação de Doentes Obesos e Ex-obesos de Portugal (Adexo), que lamenta a falta de compreensão de muitos portugueses para "uma doença real que tem mesmo de ser tratada".

Numa luta constante contra o próprio corpo, com o cérebro a criar a sensação de fome permanente, os doentes obesos enfrentam ainda uma guerra exterior. "A partir de determinada altura, estes doentes desesperam com a necessidade de ter de perder peso por razões de saúde e sociais, não conseguem arranjar emprego, têm de enfrentar uma série de dificuldades", alerta o representante da Adexo.

Por isso, estão também mais expostos aos perigos das dietas ‘milagrosas’ e dos produtos que prometem resultados irreais. "No desespero, deitam mão a tudo", considera Carlos Oliveira. Para vencer a guerra, o caminho não deve ser percorrido sozinho. A ajuda médica é essencial, mas quando este processo termina é necessário criar outros mecanismos.

"Tenho alarmes para tudo no telemóvel", conta ao CM Clarisse Santos, enfermeira, de 54 anos. O sistema serve para se recordar de comer de duas em duas horas ou para não falhar a ida ao ginásio. Contra a gula, colou uma fotografia de quando pesava 136 quilos na porta do frigorífico. Agora com 70 quilos e depois de várias cirurgias, não tem dúvidas de que "a luta é travada todos os dias e para toda a vida".
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