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Correio da Manhã

Sociedade
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BE exige "demissão imediata" do "turbo-anestesista" do hospital

O Bloco de Esquerda (BE) exigiu hoje a "demissão imediata" do director clínico do Hospital de Braga, depois de a Inspecção-geral das Actividades em Saúde (IGAS) lhe ter imputado má prática médica, "pondo em risco, desnecessariamente, os doentes".
4 de Fevereiro de 2012 às 17:06
Hospital de Braga, Bloco de Esquerda, anestesia, processo
Hospital de Braga, Bloco de Esquerda, anestesia, processo FOTO: Maria João Marques

Em comunicado, o BE defende ainda que, "perante o descalabro que vem acontecendo" no Hospital de Braga, "a única solução aceitável é acabar com aquela parceria público-privada".

A má prática médica imputada pela IGAS ao director clínico do Hospital de Braga, Mário Carvalho, prende-se com o facto de, num só dia, ter anestesiado 17 doentes em salas diferentes, uma situação que levou mesmo o BE a apelidá-lo de "turbo-anestesista".

O hospital instaurou um processo de averiguações, concluindo pela "inexistência de matéria de facto" e arquivando o processo.

Alegou que Mário Carvalho respeitou "sempre as boas práticas anestésicas" e teve por único objectivo o bem-estar e conforto dos doentes que se encontravam já preparados para as respectivas cirurgias, "evitando assim o adiamento das mesmas e os transtornos que a situação lhes acarretaria".

Mas a IGAS também instaurou um inquérito e chegou a uma conclusão diferente, garantindo que Mário Carvalho "feriu regras de comportamento exigidas para a anestesia em segurança de um doente".

Acrescenta que aquele médico, se não estivesse já aposentado, "incorreria em responsabilidade disciplinar por violação de determinados deveres funcionais".

Assim, essa responsabilidade disciplinar cabe à Ordem dos Médicos, a quem a IGAS vai fazer chegar as conclusões da inspecção.

A IGAS sugere ainda à administração do hospital a cessação da actividade clínica de Mário Carvalho.

Contactado pela Lusa, o Hospital de Braga escusou-se a fazer qualquer comentário.

Segundo o regulamento aprovado pela Ordem dos Médicos, "a boa prática assistencial exige que o anestesiologista que acompanhe um doente anestesiado ou sedado assuma a responsabilidade apenas por um doente em cada momento, não sendo aceitável o acompanhamento de mais do que um doente em simultâneo ou a tutela de quem acompanha outro doente".

Diz ainda que, "como situação de excepção, apenas se considera aceitável a intervenção em mais do que um doente anestesiado ou sedado em caso de emergência (com risco de vida) que imponha a intervenção imediata com os recursos disponíveis, ainda que não os ideais".

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