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Bênção de Pastas com pais à porta

Abençoar as pastas académicas para garantir um bom futuro profissional. Foi com esta convicção que centenas de finalistas da Universidade de Coimbra encheram ontem a Sé Nova da cidade onde se realizou mais uma edição da Bênção das Pastas. Este ano, pela primeira vez, apenas os fitados puderam entrar na catedral, ficando no exterior os milhares de familiares e amigos que se deslocaram para assistir à cerimónia.

26 de maio de 2008 às 11:00

No largo da Sé Nova, a Missa foi transmitida num pequeno painel de vídeo, para descontentamento dos cerca de três mil presentes. 'Foi uma pouca vergonha, não vi nada. Se fosse para ver a bola tinham posto um ecrã gigante', dizia Maria Lourenço, que veio de Aveiro para ver a filha, finalista de Geografia. De Guimarães partiu Maria Silva. 'Vim para ver o meu afilhado e o meu irmão e não vi nada, até chorei', lamentava.

A Comissão Organizadora da Queima das Fitas explica, no seu site oficial, que 'este ano, dado ao facto de o número de fitados ser superior ao normal por ser um ano de transição, o acesso ao interior da Sé Nova é única e exclusivamente reservado aos estudantes, à organização e aos convidados especiais' e acrescenta que 'para o restante público, é reservado o espaço exterior onde estará um painel de vídeo'.

Mas as justificações não convenceram os familiares, muitos dos quais percorreram centenas de quilómetros para ver a cerimónia. 'Podiam fazer a Bênção lá fora ou colocarem um ecrã gigante', sugeria Joaquim Paulino, que se deslocou de Oliveira do Hospital para ver o sobrinho finalista de Engenharia Civil. 'Não se justifica uma coisa destas numa cidade como Coimbra. Está muito mal organizado, o ecrã está escondido e ninguém viu nada', reclamava Lucília Santos que nem chegou a ver o filho, fitado de Economia. Em Lisboa, por exemplo, a Missa de Bênção das Pastas é realizada ao ar livre, na Alameda da Universidade, o que permite a assistência de milhares de familiares e amigos dos alunos finalistas.

PREPARAÇÃO PARA A VIDA

Depois de anos de estudo e a um passo de entrarem no mundo do trabalho, os alunos, já preocupados com o desemprego, pediram auxílio divino, numa missa presidida pelo bispo de Coimbra, D. Albino Cleto.

'O curso que completais é na perspectiva cristã uma boa preparação para responderdes ao plano de Deus', disse o bispo, sublinhando: 'Não podeis servir a Deus e ao dinheiro'.

Trajados a rigor e de capas caídas sobre os ombros em sinal de respeito, os estudantes das várias faculdades lembraram professores, funcionários, colegas e amigos com os quais conviveram na passagem pela Universidade.

UNIVERSITÁRIOS POUCO SATISFEITOS COM MUDANÇA

As novas regras do Código da Praxe, introduzidas devido ao processo de Bolonha, ditaram a alteração da data da Bênção das Pastas, normalmente realizada antes do Cortejo dos Quartanistas. A cerimónia religiosa teve lugar três semanas depois do des-file e já fora do tradicional programa da Queima das Fitas. A maioria dos estudantes ficou pouco satisfeita com as mudanças nas centenárias tradições académicas.

OS FINALISTAS

'DESEMPREGO É ESTIGMA QUE NOS PERSEGUE' - Rita Serra, finalista de Gestão

'É o final de uma etapa enorme. É bom mas triste ao mesmo tempo porque vou sentir saudades. Tenho um medo imenso do desemprego, é um estigma que nos persegue'

'ESPERO ENCONTRAR ALGUMA COISA' - Miguel Alves, finalista de A. Pública

'Esta cerimónia simboliza para mim o final de uma era. Agora vamos ver o que o futuro nos reserva. Tenho algum receio de ficar sem emprego, mas espero encontrar alguma coisa na minha área.'

'TIVE IMENSA PENA DE FICAR FORA DA IGREJA' - Natália Torres, familiar

'Foi uma desilusão. Não consegui ver e queria tanto ver a minha neta que terminou o curso de Jornalismo. Tive imensa pena de ficar fora da igreja, o ecrã era pequeno e não dava para ver nada'

 

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