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Correio da Manhã

Sociedade
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Bispo das Forças Armadas diz que cortes são "ataque atroz"

O bispo das Forças Armadas classificou nesta sexta-feira de "ataque atroz aos trabalhadores" as medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro e disse ser altura de dizer "basta".
9 de Setembro de 2012 às 15:28
O bispo das Forças Armadas mostrou-se ainda escandalizado com a desprotecção da população mais vulnerável, incluindo os jovens, numa altura em que grassa o "desânimo e o protesto".
O bispo das Forças Armadas mostrou-se ainda escandalizado com a desprotecção da população mais vulnerável, incluindo os jovens, numa altura em que grassa o 'desânimo e o protesto'. FOTO: João Santos

Em declarações à agência Lusa, D. Januário Torgal Ferreira referiu que o que o "escandaliza" é a "falta de justiça social", observando que com estas medidas se "assiste a um ataque atroz aos trabalhadores em nome da equidade".

O bispo das Forças Armadas mostrou-se ainda escandalizado com a desprotecção da população mais vulnerável, incluindo os jovens, numa altura em que grassa o "desânimo e o protesto".

D. Januário Torgal Ferreira criticou também o "solilóquio" de Passos Coelho no Facebook, a tentar justificar como cidadão as medidas anunciadas, desafiando o primeiro-ministro a debater ideia em "diálogo aberto" e não desta forma.

Nas palavras do bispo das Forças Armadas, "não é com austeridade que se salva o País" e "se o primeiro-ministro vai em frente, deixa o país fortemente desgraçado", ou melhor "uma parte do país".

O bispo disse ainda que Passos Coelho deve explicar ao país porque razão disse "basta" ao Programa de Estabilidade e Crescimento 4 durante o Governo de José Sócrates, e "agora assina tudo" para que Portugal receba dinheiro.

D. Januário reiterou a sua preocupação com a corrupção, alertando que "há corrupção moral, não há valores, não há ética, nem valores", havendo apenas uma "vontade decisiva de grupos alimentados pela vontade de quem julga que é Imperador".

Quanto ao papel do Presidente da República (PR), considerou que o actual silêncio do PR resulta da estratégia de um homem que é "naturalmente calado e silencioso" e que entende que os "silêncios são eficazes".

Notou, contudo, que o Presidente da República é a "última entidade salvadora" e que Cavaco Silva deverá saber o "que dizer e fazer" após o muito que afirmou antes sobre a questão dos cortes salariais e os sacrifícios impostos aos portugueses.

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