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Correio da Manhã

Sociedade
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Bispos portugueses não querem comissões de abusos na Igreja

Só Lisboa e Setúbal avançam com criação deste organismo. Bispo do Funchal considera não haver "casos que o justifiquem".
Secundino Cunha 30 de Abril de 2019 às 08:41
Bispos reunidos em Assembleia Plenária da Conferência Episcopal
Terço
Bispos reunidos em Assembleia Plenária da Conferência Episcopal
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Bispos reunidos em Assembleia Plenária da Conferência Episcopal
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O assunto, colocado em fevereiro pelo Papa na primeira linha das preocupações da Igreja, está a dividir os bispos portugueses.

E esta segunda-feira mereceu apenas uma leve referência, por parte de D. Manuel Clemente, no arranque da Assembleia Plenária da Conferência Episcopal (CEP), que decorre em Fátima.

Até agora, apenas duas dioceses, Lisboa e Setúbal, avançaram com a criação de comissões de proteção de menores e de análise e acompanhamento de eventuais casos de abusos sexuais por parte do clero.

Quanto às restantes, umas consideram que não é necessário e outras vão aguardar o resultado da discussão destes dias. Os bispos do Porto, Lamego, Santarém e Funchal já fizeram saber que não vão criar comissões.

"Não vou avançar com a criação de qualquer comissão, porque não há casos que o justifiquem", disse esta segunda-feira ao Correio da Manhã D. Nuno Brás, bispo do Funchal.

Isto apesar de estar em curso uma investigação da Polícia Judiciária ao padre Anastácio Alves, relativa a uma denúncia de abusos sexuais ocorridos em finais de 2018. "A PJ está a investigar e a Igreja não vai substituir-se às autoridades", justificou D. Nuno.

Esta segunda-feira, no discurso de abertura, o presidente da CEP disse apenas que os bispos portugueses acolherão "tudo quanto o Santo Padre decidiu e decida neste campo".
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