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Correio da Manhã

Sociedade
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Bruxelas pede que UE evite limites à exportação para garantir segurança alimentar

Comissão Europeia vai assegurar um acompanhamento e uma análise regulares dos preços dos alimentos.
Lusa 23 de Março de 2022 às 12:37
União europeia
União europeia FOTO: Bruxelas
A Comissão Europeia pediu esta quarta-feira que se evitem restrições às exportações de alimentos da União Europeia (UE) para garantir segurança alimentar global, perante problemas de fornecimento e aumento de preços, em regiões como Ucrânia, África e Médio Oriente.

"A Comissão está empenhada em tomar todas as medidas necessárias para assegurar que a UE, enquanto exportador líquido de alimentos e produtor de topo de produtos agroalimentares, contribua para a segurança alimentar global, particularmente na Ucrânia, Norte de África e Médio Oriente, que dependem largamente das importações de cereais, bem como na Ásia e África subsaariana", anuncia o executivo comunitário em informação à imprensa europeia.

No dia em que divulga medidas para reforçar a segurança alimentar global devido às pesadas consequências da guerra da Ucrânia causada pela invasão russa nomeadamente no comércio mundial de alimentos, Bruxelas vinca que "a UE é um dos principais fornecedores de assistência humanitária e de desenvolvimento em matéria de alimentos e sistemas alimentares".

E, por essa razão, a Comissão Europeia defende "firmemente que se evitem restrições à exportação e proibições de exportação de alimentos e que se garanta o bom funcionamento do mercado único", acrescenta.

"A Comissão assegurará um acompanhamento e uma análise regulares dos preços dos alimentos [...] e continuará o seu envolvimento em organismos internacionais e multilaterais para coordenar políticas", refere ainda o executivo comunitário.

A posição surge numa altura de aceso confronto armado na Ucrânia devido à invasão russa, tensões geopolíticas que estão a afetar cadeias de abastecimento, causando receios de rutura de 'stocks' e de crise alimentar.

Tanto a Ucrânia como a Rússia são importantes fornecedores dos mercados mundiais, especialmente de cereais e óleos vegetais, como trigo, cevada e milho, sendo que Kiev é também responsável por mais de 50% do comércio mundial de óleo de girassol e um importante fornecedor de ração para a UE.

Segundo a Comissão Europeia, não existe uma "ameaça imediata à segurança alimentar" no espaço comunitário, uma vez que a UE é um grande produtor e um exportador líquido de cereais.

Porém, para a vizinhança da UE, no Norte de África e no Médio Oriente, tanto a disponibilidade como a acessibilidade de preços estão em risco no que toca ao trigo, o alimento básico, o que também acontece na Ásia e na África subsaariana.

O Norte de África e o Médio Oriente importam mais de 50% das suas necessidades de cereais da Ucrânia e da Rússia.

Embora os principais clientes de trigo ucraniano e russo tenham 'stocks' para alguns meses, já se fazem sentir aumentos de preços em países como Iémen, Bangladesh, Paquistão, Sudão, e Nigéria, muitos deles já vulneráveis em termos alimentares.

E, além disso, os aumentos de preços terão repercussões nos países importadores de alimentos, aumentando ainda mais o já crescente número de pessoas subnutridas a nível global.

A Rússia lançou em 24 de fevereiro uma ofensiva militar na Ucrânia que causou pelo menos 953 mortos e 1.557 feridos entre a população civil, incluindo mais de 180 crianças, e provocou a fuga de mais 10 milhões de pessoas, entre as quais 3,53 milhões para os países vizinhos, indicam os mais recentes dados da ONU.

Segundo as Nações Unidas, cerca de 13 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária na Ucrânia.

A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.

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