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Correio da Manhã

Sociedade
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Calor afecta utentes dos hospitais

O intenso calor que se faz sentir em alguns hospitais é motivo de queixa de doentes, familiares que os acompanham, visitantes e profissionais que trabalham nessas unidades de saúde.
6 de Setembro de 2010 às 00:30
Hospital de Faro investe 40 mil euros num novo sistema
Hospital de Faro investe 40 mil euros num novo sistema FOTO: João Henrique

As áreas hospitalares alvo de maiores reclamações pela ausência ou insuficiência de sistemas de climatização são os gabinetes das consultas externas. Mas o CM também ouviu reclamações de pacientes relativas às salas de espera dos Serviços de Urgência e das enfermarias.

Um dos hospitais que recebe críticas é o S. Bernardo, em Setúbal. Patrícia Gomes, de 25 anos, afirma que vai várias vezes à unidade por causa da filha, de dois anos. "Já tive de a despir na sala de espera da Pediatria porque o calor era insuportável e não me deixaram levá-la para a sala da febre". O CM pediu informações sobre o sistema de ar condicionado à administração do hospital, mas não obteve resposta.

No Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro, foram investidos 600 mil euros nos últimos seis anos para "melhorar as condições de climatização", explica a presidente do conselho de administração, Izabel Pinto Monteiro. Um investimento que não satisfaz todos os utentes. "Um bafo" foi o que sentiu Adelaide Garcia, de 21 anos, na sala de espera das Urgências. Já Hélder Luís e Andreia Neves consideram que "a administração devia investir no ar condicionado, porque nas consultas externas está muito abafado".

Em Faro, as queixas também se fazem ouvir. "A minha avó ficou internada numa sala com mais cinco doentes. O ar condicionado nunca funcionava e foi necessário abrir portas e janelas e colocar uma ventoinha na sala", disse ao CM a familiar da octogenária.

Ana Paula Gonçalves, presidente do CA do Hospital de Faro, reconhece alguns "problemas pontuais" com o sistema de tratamento de ar. "Estamos a instalar o sistema em três serviços que ainda estão em falta. Esperamos terminar em 2011", explica a responsável. Sem ser a solução ideal, o sistema de tratamento de ar "é o possível dadas as velhas infra-estruturas do edifício".

INVESTIMENTO DE OITO MILHÕES

Os trabalhadores dos Hospitais da Universidade de Coimbra denunciaram recentemente "fragilidades do sistema de ar condicionado". O Conselho de Administração dos HUC garantiu que a unidade hospitalar tem em marcha o projecto ‘Hospital Amigo do Ambiente’, cujo investimento ascende a oito milhões de euros. Foram substituídos equipamentos com mais de 23 anos.

SANTO ANTÓNIO GASTA 100 MIL EUROS POR ANO

O Centro Hospitalar do Porto, mais conhecido por Hospital de Santo António, tem unidades de tratamento de ar e equipamentos ‘venticonvector’ nas áreas de utentes. Apenas alguns serviços do antigo edifício principal não dispõem destes sistemas. O director do serviço de instalações do hospital, Luís Filipe Pereira, esclarece que as estruturas físicas daquelas áreas não permitem a instalação de equipamentos. O responsável assegura que a climatização está ligada 24 horas por dia nos serviços permanentes. Nas restantes áreas, apenas no período de funcionamento. Cerca de 100 mil euros/ano é o custo do ar condicionado no Hospital de Santo António.

Mais a norte, em Braga, apenas 30% das instalações do Hospital de São Marcos têm ar condicionado. A restante área é arejada por aparelhos alternativos. Os sistemas climáticos funcionam 24 horas por dia na Urgência, blocos operatórios e de partos, Pediatria, Unidade de Cuidados Intensivos, laboratório e espaços de consultas externas. O pólo 2 da unidade também está climatizado. O novo hospital, que deverá abrir em meados de 2011, já terá toda a área equipada com os mais modernos sistemas de climatização.

As unidades de Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela estão equipadas com climatização em todas as alas e serviços. No Hospital de Bragança, mais antigo, alguns serviços administrativos ainda não estão abrangidos pelo sistema e só existem aparelhos de aquecimento.

REDE ELÉCTRICA NÃO AGUENTA OS APARELHOS

No Hospital Sousa Martins, na Guarda, os doentes não se queixam do calor no interior do edifício. A construção secular, com paredes de pedra com um metro, e a integração numa zona de mata contribuem para o ar fresco na unidade. Se a zona antiga não conta com sistema de refrigeração, porque "a rede eléctrica não aguenta", nas Urgências, consultas externas e salas cirúrgicas já há ‘chillers’, que gelam água e a enviam por um sistema de refrigeração, explica Fernando Girão, presidente do conselho de administração da Unidade Local de Saúde da Guarda.

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