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Correio da Manhã

Sociedade
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Calor e máscaras complicam provas nacionais

Mais de 35 mil estudantes estrearam exames nacionais durante a pandemia de Covid-19.
Bernardo Esteves 7 de Julho de 2020 às 01:30
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Calor e máscaras complicam provas nacionais
O calor e a obrigação do uso de máscara foram os principais obstáculos dos 35 451 alunos que esta segunda-feira estrearam os exames nacionais em contexto de pandemia com a prova de Português do 12º ano. “Foi terrível o uso de máscara, apesar da sala estar arejada”, disse ao CM Pedro Lopes, aluno da Escola Secundária D. Dinis, em Lisboa. Ana Paula Serra, professora na mesma escola, considera que “trabalhar com máscara é muito constrangedor, muito mesmo”. Com as temperaturas a atingir os 40 graus em algumas regiões do País, os estudantes tiveram de lidar com condições complicadas. A prova em si parece não ter oferecido grande problemas e terá sido acessível.

Filomena Viegas, presidente da Associação de Professores de Português (APP), considerou que a prova estava “bem estruturada e de acordo com os documentos de referência, que são o Programa da disciplina e o documento Aprendizagens Essenciais, e cumpre também as orientações do Instituto de Avaliação Educativa (Iave)”.

A responsável admite contudo que a prova trazia algumas “novidades que podiam apanhar os alunos de surpresa”. Uma delas foi a necessidade de relacionar um texto de ‘Os Maias’ com outro de ‘A Ilustre Casa de Ramires’, ambas obras de Eça de Queiroz. “Habitualmente as questões são sobre uma obra e não o relacionamento com outra. Tudo o que implica relacionar é mais complexo”, considera a presidente da APP.

Entretanto, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) vai pedir uma reunião com a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, para saber se a DGS é responsável pela redução de 2 para 1 metro da distância a manter na escola. A distância de 1 metro é apontada num documento com orientações para o próximo ano letivo divulgado pelo Ministério da Educação, através da Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares, no qual também aparecer o logótipo da DGS.

“É inacreditável que uma DGS que sabe que existem surtos no nosso país e que proíbe pessoas de assistirem a espetáculos ao ar livre como o futebol diga agora que a distância recomendável nas escolas é de um metro”, disse ao CM Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof. “Queremos saber se de facto a DGS é responsável por esta orientação economicista em prejuízo de crianças, professores e funcionários”.

DEPOIMENTOS
Tomás Santos, 17 anos, Faro
"Estudei bastante na altura do confinamento"
"O exame correu bastante bem, em geral, e a nova opção de algumas questões não valerem vai ajudar, em especial na gramática. Vim às aulas presenciais e estudei bastante na altura do confinamento porque tive muito tempo para o fazer".

Margarida Pereira 18 anos, Lisboa
"Estou satisfeita com os autores que saíram"
"Correu bem e não precisei de usar a meia hora de tolerância. Estou satisfeita com os autores que saíram, mas não esperava que saísse uma comparação entre ‘Os Maias’ e ‘A Ilustre Casa de Ramires’. Nas perguntas opcionais respondi a todas".

Carolina Pereira 19 anos, Leiria
"Foi mais fácil que exames de anos anteriores"
"Correu bem. Foi fácil, comparativamente aos exames do ano passado pelos quais tinha estudado. Estava a rezar para que saísse ‘Os Maias’, e saiu. Fernando Pessoa foi a última matéria que demos em aula presencial, e ainda me recordava de tudo".

Manuel Xavier 18 anos, Porto
"Foi bastante fácil e estava tudo bem preparado"
"Foi bastante fácil. No ano passado já tinha feito a prova e achei mais difícil. Achei que a nível de segurança também estava tudo bem preparado. As mesas estavam afastadas dois metros e à entrada deram gel desinfetante, assim como na sala".

Esperada "boa nota" no Porto
Durante duas horas e meia, os alunos da escola Clara de Resende, no Porto, realizaram o exame nacional de Português, sempre com a máscara colocada e separados por dois metros do colega da mesa do lado. Apesar da pressão das novas regras de segurança, devido à Covid-19, o sentimento à saída foi de confiança. Os alunos falam numa prova "muito fácil".

"Estava muito bem preparado na interpretação. Na gramática, nem tanto, mas, em geral foi uma prova simples. E sinto que não se focaram na matéria dada durante o período de isolamento social, o que foi bom", disse Afonso Silva, 18 anos. Também Teresa Aires sente que foram "ajudados" ao não sair na prova, os principais temas dados nos meses em que estiveram sem aulas. "Não recorreram aos temas do estudo em casa. Sinto que foi mesmo fácil. As aulas à distância eram muito complicadas porque não havia a relação entre aluno e professor. Mas, felizmente, essa matéria ficou de lado", referiu a estudante que conta com a disciplina de Português para ingressar na universidade.

Já Filipa Guerra assume ter ficado preocupada caso tivesse saído no exame a matéria dada nas aulas virtuais. "Não me sentia cem por cento preparada, porque não havia revisões na escola e isso dificultava-me bastante. Não é a mesma coisa estudar em casa. Mas correu mesmo bem. E estou confiante numa boa nota", garante.

Alunos em Leiria com opiniões divididas
Na escola secundária Domingos Sequeira, em Leiria, onde esta segunda-feira mais de uma centena de alunos fez o exame de Português - o primeiro do calendário -, sob fortes medidas de segurança higiénica, as opiniões sobre a prova dividiam-se. "O primeiro grupo foi o mais complicado, mas o resto achei acessível", considerou Catarina Lourenço. Já Bernardo Alberto disse que "correu mais ou menos". "Foi um exame um bocadinho à toa, mas acho que dá para a nota que preciso", acrescentou o estudante.

Maioria dos inscritos foi a exame em Faro
Na escola secundária João de Deus, em Faro, dos 100 alunos que estavam inscritos, 81 foram fazer o exame. "Como este exame apenas conta como prova de ingresso, achei que foi um número bastante elevado em relação às minhas expectativas. Fiquei surpreendido", disse ao CM Carlos Luís, diretor do agrupamento da escola.
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