"Em causa está a segurança das populações e dos bens culturais presentes", realçou o município.
A Câmara de Alcácer do Sal solicitou a intervenção do Exército para estabilizar a encosta do castelo, onde têm ocorrido deslizamentos de terra recentes, "em diversos locais e de forma repetida", anunciou esta segunda-feira o município.
Em comunicado na sua página na rede social Facebook, esta autarquia do distrito de Setúbal, cuja zona ribeirinha tem sido alvo de cheias desde o dia 28, quando o rio Sado galgou as margens, disse que pediu o apoio de diferentes entidades sobre "os recentes deslizamentos de terra" na encosta do castelo da cidade.
"Em causa está a segurança das populações e dos bens culturais presentes", realçou o município, indicando que os deslizamentos verificaram-se "em diversos locais e de forma repetida".
De acordo com a câmara, elementos da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo já estiveram no local para "fazer uma avaliação e monitorização da situação".
"Através do Comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, foi ainda solicitada a intervenção do Exército português para vir estabilizar a encosta", destacou a autarquia.
Contactado esta segunda-feira pela Lusa, o vice-presidente da câmara e vereador com o pelouro da Proteção Civil, António Grilo, manifestou-se "muito preocupado" com os deslizamentos de massa que têm vindo a ocorrer na encosta do Castelo de Alcácer do Sal.
"Os desmoronamentos começaram no dia 28, ou talvez até antes, e têm ocorrido episódios todos os dias", indicou, frisando que os acessos a esta zona "estão cortados, por precaução".
"Há casas nas imediações", disse, tendo outra fonte camarária acrescentado à Lusa que nenhuma foi atingida, já que os deslizamentos de terra têm ocorrido, precisamente, "para a estrada, que está acima das casas" situadas nesses locais.
O vice-presidente confirmou que já estiveram no local "técnicos especializados, que verificaram que havia risco de queda de mais massa, e essa entidade vai monitorizar a situação. Tem que haver alguma solução, para já provisória, vamos ver o que é acionado".
António Grilo lembrou que o castelo da cidade está situado na zona mais alta da cidade e, além de continuar a chover, "os solos já estão saturados e há a possibilidade de haver ali algum risco de queda e de deslizamento de mais massa".
No comunicado divulgado esta segunda-feira, a Câmara de Alcácer do Sal reforçou que, "assim que os desmoronamentos se sucederam, em dimensão e frequência", a autarquia "encerrou toda a circulação, automóvel e pedonal, na estrada do Miradouro da Encosta (bairro da Graça) e na estrada de Santa Luzia" e apelou à população para não utilizar aquelas vias e manter-se em segurança.
À Lusa, o vice-presidente confirmou que as aulas nas escolas do Agrupamento de Escolas de Alcácer do sal foram esta segunda-feira retomadas, tal como anunciado no domingo, "para levar alguma normalidade à vida das crianças e jovens, apesar destes constrangimentos".
As aldeias de Casebres, Vale de Guizo e Arez continuam sem água potável a partir dos furos locais, porque "ainda está imprópria para consumo", e são abastecidas através de autotanques de várias corporações de bombeiros.
Devido às inundações na baixa da cidade, uma vez que "existe o risco de haver alguma contaminação da água", a limpeza deve ser efetuada com recurso a Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que a câmara e Proteção Civil têm distribuído, disse o vereador.
"As águas podem ter alguma contaminação, misturaram-se com águas residuais, óleos de oficinas, combustíveis, óleos alimentares, não sabemos. Por isso, no domingo, algumas pessoas que estavam nas limpezas já estavam a usar equipamentos, mas hoje fizemos uma abordagem mais transversal e distribuímos 'kits' de EPI", uns com máscaras e luvas e outros que incluem ainda fatos descartáveis, precisou.
O rio Sado "está hoje com alguma capacidade de encaixe, está na maré vazia, e temos algumas barragens a efetuarem descargas preventivas", disse.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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