Carta de demissão assinada por 11 chefes de equipa do hospital alerta para a degradação do serviço.
A Câmara Municipal de Loures aprovou uma moção contra o encerramento noturno da urgência pediátrica do hospital do concelho, a partir desta quarta-feira, assegurando o presidente da autarquia que não vai permitir que seja um fecho definitivo.
A tomada de posição, apresentada pela CDU, foi aprovada esta manhã por unanimidade durante uma reunião do executivo presidido pelo socialista Ricardo Leão.
Em causa está o encerramento noturno da urgência pediátrica do Hospital Beatriz Ângelo (HBA), que serve os municípios de Loures, Odivelas, Mafra e Sobral de Monte Agraço, no distrito de Lisboa, e que já foi confirmado pelo ministro da Saúde, Manuel Pizarro.
Durante a discussão da moção, o presidente da Câmara Municipal de Loures, Ricardo Leão, deu conta de que já tem uma reunião agendada para terça-feira (07 de março), pelas 12:00, com o ministro da Saúde para discutir esta questão, na qual estarão também presentes autarcas de Odivelas, Mafra e Sobral de Monte Agraço.
A reunião tinha sido solicitada, com "caráter de urgência", ao ministro Manuel Pizarro.
"Para nós foi uma surpresa [o encerramento]. Ainda há quatro dias a notícia era de que não iria fechar nenhuma urgência pediátrica. Aquilo que vou transmitir ao senhor ministro é que não aceito qualquer encerramento definitivo. O encerramento deve ser temporário e devem-nos dar prazos para repor a normalidade", afirmou o autarca.
Ricardo Leão adiantou já ter conversado com a administradora do HBA, que referiu as necessidades para repor a urgência pediátrica do hospital, tutelado pelo Governo.
"Irei transmitir essas necessidades ao ministro", assegurou.
Entretanto, os chefes de equipa do Serviço de Urgência Geral do HBA apresentaram a sua demissão devido à falta de condições, que dizem pôr em causa a segurança dos doentes e dos profissionais.
Segundo a carta de demissão assinada por 11 chefes de equipa e a que a Lusa teve esta quarta-feira acesso, os profissionais alertam para a degradação do serviço, lembrando que têm sido lançados vários avisos sobre a situação que se vive nos últimos tempos.
Os médicos sublinham "a escassez de recursos humanos" que leva a que o hospital viva "os piores momentos da sua história", não conseguindo garantir "a prestação de cuidados de excelência ao doente".
Em reação, o ministro da Saúde prometeu diálogo com os chefes de equipa, para perceber as suas motivações.
A RTP avançou no domingo, a partir de uma denúncia do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), que "a urgência de pediatria do hospital de Loures passa a encerrar já em março durante a noite e aos fins de semana devido à falta de pediatras", mas, na segunda-feira, o ministro tinha negado esse fecho, enquadrando antes a situação no trabalho em curso para criar um novo modelo de urgências metropolitanas.
Manuel Pizarro anunciou que, na próxima semana, vai ser conhecido o plano para o funcionamento regular das urgências de pediatria de toda a Área Metropolitana de Lisboa, explicando que a população que recorre à urgência pediátrica do HBA deve antes usar os serviços que se mantêm abertos, como os do Hospital de Santa Maria, Hospital Dona Estefânia ou Hospital de São Francisco Xavier, todos em Lisboa.
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