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Correio da Manhã

Sociedade

Caminhar sem sapatos ajuda a reforçar músculos plantares

Calçado só deve ser usado na rua ou como forma de proteção de lesões e temperatura.
Francisca Genésio 12 de Maio de 2019 às 09:58
Crianças na creche
Bebés
Crianças na creche
Crianças na creche
Bebés
Crianças na creche
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Bebés
Crianças na creche
Caminhar descalço tem inúmeros benefícios quer para os adultos, quer para as crianças, já que permite um melhor desenvolvimento e reforço, no caso dos mais pequenos, dos músculos plantares. Mas a marcha sem sapatos tem ainda outros benefícios.

"Tanto a criança como o adulto recebem informação sensorial importante através da planta do pé e isto é particularmente importante na criança que está a começar a dar os primeiros passos – esta informação sensorial permite que entenda como coloca o pé no chão e que adquira um melhor e mais equilibrado padrão de marcha", revela ao CM Patrícia Rodrigues, ortopedista no Hospital Lusíadas Lisboa.

De acordo com a especialista, os sapatos devem ser utilizados como forma de proteção de lesões, temperaturas, ou em situações em que não é possível garantir segurança - como na rua, por exemplo. Mas, ainda assim, o calçado só deve ser usado a partir do momento em que a criança começa a dar os primeiros passos - cerca do primeiro ano de idade.

Em ambientes controlados, a ortopedista defende que as crianças devem sempre caminhar descalças. "O tempo que as crianças passam no infantário são horas preciosas de brincadeira e descoberta, que lhes permite correr, saltar, subir, descer, etc. Se o fizerem descalças, os benefícios são enormes", justifica Patrícia Rodrigues.

Quanto ao uso de meias, a ortopedista recomenda aos pais que não as calcem, quer aos bebés, quer às crianças. "Os bebés podem usar meias, mas não precisam. O ideal é andar completamente descalço, sem fatores que mascarem os estímulos sensoriais", explica.

Patrícia Rodrigues esclarece que "o frio não provoca alterações nos pés, nem doenças, como as constipações". No entanto, caso as baixas temperaturas se tornem desconfortáveis, "não será grave andar com meias para efeitos de aquecimento", refere.

O mesmo conselho é dado pela médica aos pais no que diz respeito às palmilhas. O ‘pé chato’ é uma preocupação, mas "o pé tende a corrigir com o crescimento", refere.

Hidratação e corte de unhas na rotina dos bebés
Os pés das crianças são mais frágeis do que os dos adultos e, por isso, os pais têm de ter cuidados redobrados. Numa primeira fase, ainda antes de começarem a dar os primeiros passos, a principal preocupação passa por manter uma higiene cuidada, através da "hidratação e do corte das unhas", explica ao CM Patrícia Rodrigues, ortopedista.

O corte das unhas deve ser rente e a hidratação da pele, incluindo a dos pés, deve fazer parte da rotina diária. Segundo a especialista, é também importante que os pés andem livres, "sem sapatos, para que a criança possa fazer as suas descobertas sensoriais à vontade, sem prisão de movimentos", realça.

Após o início da marcha, os cuidados de higiene devem manter-se. Os pais devem estar especialmente atentos a possíveis alterações nos membros inferiores, já que alguns problemas, como a marcha em pontas, podem surgir quando a criança começa a andar.

"Não é causa para preocupação na maioria dos casos, mas deve ser investigado para exclusão de outras doenças", recomenda Patrícia Rodrigues.

"Pais têm de estar atentos"
Patrícia Rodrigues, ortopedista no Hosp. Lusíadas Lisboa
CM - A que tipo de sinais nos pés dos bebés devem estar os pais atentos?
Patrícia Rodrigues – As alterações mais comuns ao nascimento são o metatarsos aducto - o primeiro dedo do pé parece desviar para dentro -, e o pé calcâneo - valgo, quando o pé está em rotação interna. Depois, podem surgir outras, mas os pais têm de estar atentos a todas as alterações à normalidade e devem procurar avaliação médica para exclusão de patologia.
– Quais as alterações mais preocupantes?
– As assimétricas, isto é, quando só um pé tem alterações, já que as variações ‘normais’ afetam, geralmente, os dois lados de igual forma. Depois, é preciso perceber se existe dor ou desconforto associado.
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