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Campanha "Dê Troco a Quem Precisa" começa na segunda-feira em farmácias de todo o país

Objetivo é os utentes doarem o troco das suas compras para apoiar pessoas e famílias carenciadas.
Lusa 10 de Dezembro de 2023 às 09:27
Farmácias com resposta mais alargada
Farmácias com resposta mais alargada FOTO: Mariline Alves

Farmácias de todo o país vão convidar os utentes a doarem o troco das suas compras para apoiar pessoas e famílias carenciadas, no âmbito de uma campanha solidária promovida pela associação Dignitude, que tem início na segunda-feira.

A campanha "Dê Troco a Quem Precisa" vai decorrer até 20 de dezembro em 600 farmácias de todo o país que aderiram ao Programa Abem: Rede Solidária do Medicamento, que já apoiou mais de 34 mil beneficiários.

Em declarações à agência Lusa, a diretora executiva da Associação Dignitude, Maria João Toscano, afirmou que "qualquer donativo é importante" para apoiar cidadãos e famílias vulneráveis que "não têm capacidade para fazer face às suas despesas, nomeadamente a aquisição dos medicamentos que lhe são prescritos pelo médico".

"O que nós fazemos ao nível do programa Abem é dar apoio a estas famílias carenciadas e contribuir para que elas possam fazer a sua medicação de forma regular e possam também desta forma ter uma melhor qualidade de vida", disse Maria João Toscano.

Um estudo recente da Universidade Nova de Lisboa, citado pela associação, dá conta de que a proporção de famílias desfavorecidas que reporta não ter adquirido todos os seus medicamentos ultrapassa os 50%.

"Estamos numa situação que anteriormente já era difícil. Hoje em dia, com o aumento do nível de vida e a própria inflação, vemos um acrescer desta dificuldade", disse a responsável, lembrando dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) que apontam que a taxa de risco de pobreza aumentou para 17% em 2022.

"São quase 1,8 milhões de pessoas" que vivem com menos de 591 euros por mês, elucidou.

Segundo Maria João Toscano, cerca de 35% dos beneficiários do programa são pessoas com mais de 65 anos, mas a maioria (56%) são agregados familiares em idade ativa, com 11% de crianças envolvidas.

"No programa Abem estamos a apoiar os mais pobres dos mais pobres, ou seja, estamos a falar de pessoas que, em rendimento 'per capita' têm cerca de 250 euros por mês, o que é metade daquilo que é determinado relativamente ao limite de pobreza", realçou.

A diretora executiva destacou a solidariedade dos portugueses nesta campanha, que já vai na décima edição, e apelou para a "generosidade de continuar a apoiar quem não consegue fazer face às necessidades básicas, como o acesso à medicação para controlar a doença".

Os beneficiários do Programa Abem são cidadãos que se encontram em situação de comprovada carência socioeconómica, referenciados por entidades parceiras locais, como autarquias, instituições particulares de solidariedade social, Cáritas e Misericórdias que integram uma rede colaborativa presente em todo o país e dispõem de um cartão que podem apresentar numa farmácia para poderem adquirir medicamentos comparticipados.

A Dignitude fez uma avaliação de impacto social do programa Abem e estimou que tenham sido poupados 24 milhões de euros apenas em episódios de urgência e internamentos evitados, pelo cumprimento das terapêuticas proporcionadas pelo programa e que por cada milhão de euros investidos no programa existe uma poupança potencial de quatro milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde.

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