Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
7

Cancela baixa médica para poder pagar IMI

Estado recusa subsídio a operário que tem um cardiodesfibrilhador.
Cátia Vicente 12 de Maio de 2015 às 00:45
Rui Maia tem dois filhos e não vê alternativas senão trabalhar mesmo estando doente
Rui Maia tem dois filhos e não vê alternativas senão trabalhar mesmo estando doente FOTO: CMTV
Rui Maia, de 36 anos, de Póvoa do Bispo, Cantanhede, sofre de problemas cardíacos, urológicos e de coluna. Foi obrigado a cancelar a baixa médica e voltar ao trabalho porque a Segurança Social (SS) não lhe atribuiu subsídio de doença.

"Tenho noção de que estou a colocar a minha vida em risco, mas não tenho alternativa", diz emocionado. Rui Maia, que trabalha na construção civil, tem implantado um cardiodesfibrilhador desde fevereiro.

Com dois filhos, de dois e nove anos, está sem rendimentos há seis meses. A família sobrevive com o ordenado da mulher de Rui (600 euros) e com o apoio de familiares. Quando Rui teve de pagar o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), sentiu que era "a gota de água" e decidiu, contra a vontade dos médicos, voltar ao trabalho. O "inferno" começou em novembro de 2014. O estado de saúde agravou-se, Rui entrou de baixa médica e pediu subsídio de doença à SS, mas foi-lhe negado por ter contribuições em atraso.

Na Loja do Cidadão de Cantanhede informaram- -lhe que, "se no prazo de 90 dias, pagasse o valor devido, receberia o subsídio". Pediu dinheiro emprestado e pagou mais de mil euros. Agora, em carta enviada a Rui Maia, a SS confirma que os valores estão regularizados, mas que como não estavam quando entrou de baixa, não tem direito a subsídio de doença.

baixa médica pagar IMI operação
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)