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Correio da Manhã

Sociedade

Prémio de 20 mil euros distingue mulheres cientistas

Medalhas de Honra L'Oréal Portugal entregues a três investigadoras.
Cláudia Machado 23 de Fevereiro de 2016 às 22:04
Ana Faria, Ana Catarina Fonseca e Elisabete Oliveira receberam a medalha  das mãos  de Maria Cavaco Silva
Ana Faria, Ana Catarina Fonseca e Elisabete Oliveira receberam a medalha das mãos de Maria Cavaco Silva FOTO: Bruno Colaço
Ana Faria, 34 anos, Ana Catarina Fonseca, 34 anos, e Elisabete Oliveira, de 32 anos. Três jovens mulheres com currículos que impressionaram o júri responsável há 12 anos por atribuir as Medalhas de Honra L'Oréal Portugal para as Mulheres na Ciência e que foram, esta terça-feira, distinguidas com o galardão.

O prémio, que financia com 20 mil euros cada um dos projetos, foi entregue por Maria Cavaco Silva, numa cerimónia no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. As vencedoras foram selecionadas de um grupo de mais de 70 candidaturas.

Nanotecnologia no combate ao cancro

Elisabete Oliveira, doutorada em Biotecnologia, trabalha num projeto que não é visível a olho nu, mas que poderá ter um grande impacto na vida dos doentes com cancro. "O nosso grande objetivo é criar a forma oral da Doxorrubicina, um medicamento utilizado contra vários cancros, e proporcionar ao doente um tratamento mais incisivo, diminuindo as doses administradas e os efeitos secundários", conta ao CM.

Tudo com a ajuda de nanopartículas. "São partículas minúsculas que não se conseguem ver a olho nu e que na sua superfície têm pequenos poros, onde colocamos o medicamento. Na superfície da nanopartícula pomos uma espécie de GPS que vai direcionar o dispositivo diretamente à célula cancerígena", explica a cientista. 

Encontrar a causa de um terço dos AVC isquémicos

Ana Catarina Fonseca, especialista em Neurologia, procura afastar o rótulo de causa indeterminada de um terço dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) isquémicos. "É o tipo mais frequente e surge devido à oclusão de um vaso que impede que o sangue aceda até ao tecido cerebral. Num terço dos casos não conseguimos descobrir o que causou o AVC porque os exames apresentam resultados normais", refere a investigadora.

Para resolver esta incógnita, Ana Catarina Fonseca já avançou para a fase "de inclusão de doentes" no projeto que - através de amostras de sangue, analisando as proteínas que lá se encontram, ou com o recurso a outros métodos de imagem -, espera encontrar uma resposta para estes AVC, promovendo um caminho de prevenção e de tratamentos mais específicos.

As consequências da poluição na vida do oceano

Ana Faria, doutorada na área de Ecologia Marinha, é distinguida pelo trabalho que desenvolve sobre o Ambiente e coloca o foco na preservação dos ecossistemas marinhos, através das mais variadas espécies de peixes.

"o excesso de dióxido de carbono na atmosfera é absorvido pelo oceano, que é o principal responsável pela manutenção da temperatura no nosso planeta. Esta absorção em excesso provoca alterações químicas na água", alerta a investigadora. Para perceber o impacto que a acidificação dos oceanos tem nas espécies e se as alterações que sofrem são "consequência disso", Ana Faria recolhe larvas de peixe e coloca-as em ambiente de laboratório.

A longo prazo, o projeto poderá permitir recolher informação que será essencial para a aplicação de medidas de conservação das espécies mais adequadas.

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