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Correio da Manhã

Sociedade
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Carne vermelha na dieta aumenta risco de tumores

Idade avançada, dieta pouco equilibrada, existência de bactérias e pólipos são fatores de risco.
Francisca Genésio 20 de Outubro de 2018 às 06:00
População deve optar por um regime alimentar mais saudável, evitando comer carnes vermelhas, produtos fumados, de salga ou conservados em vinagre
Cancro
Cientista em laboratório
População deve optar por um regime alimentar mais saudável, evitando comer carnes vermelhas, produtos fumados, de salga ou conservados em vinagre
Cancro
Cientista em laboratório
População deve optar por um regime alimentar mais saudável, evitando comer carnes vermelhas, produtos fumados, de salga ou conservados em vinagre
Cancro
Cientista em laboratório
A idade é o principal fator de risco para o desenvolvimento de vários tumores. O cancro digestivo, que atinge um conjunto de órgãos - cólon e reto, estômago, pâncreas, fígado e esófago -, não é exceção. Há, no entanto, outros fatores de risco que não são tão tidos em conta entre a população.

"A alimentação pode ser considerada um fator de risco, nomeadamente uma dieta rica em carnes vermelhas grelhadas e com muito sal, produtos fumados, de salga ou embalados em vinagre, ou o excesso de açúcar, entre outros", explica ao CM Ricardo Girão, coordenador de Cirurgia Geral no Hospital CUF Infante Santo, em Lisboa.

De acordo com o médico especialista, também a infeção pela bactéria Helicobacter Pylori aumenta a probabilidade de um tumor se desenvolver, sobretudo no estômago, uma vez que esta "é causadora de uma inflamação (gastrite) e úlceras neste órgão".

Outro fator associado ao desenvolvimento do cancro digestivo é a gastrite crónica, "mais precisamente a atrófica, associada a um tipo de anemia", assim como "a presença de pólipos do estômago pode ser considerada um fator de risco", reforça o cirurgião, sublinhando que a "história familiar" também deve ser tida em conta pelo especialista, sobretudo se houver "um parente direto com cancro do estômago".

O refluxo gástrico pode também indicar um possível tumor. Ricardo Girão aconselha os pacientes a não utilizarem em excesso medicamentos - bombas de protões - para tratar esta condição, uma vez que "continua a haver refluxo, mas este fica assintomático, sem a típica queixa de azia", embora a longo prazo possa causar cancro do esófago ou do estômago.

"Sinto-me a pessoa mais feliz" 
José Gonçalves descobriu que tinha cancro do estômago há um ano e meio. "Tive uma úlcera no duodeno e os sintomas eram idênticos aos que sentia antes. Fiz os exames e confirmaram-se as suspeitas", conta ao CM.

José foi diagnosticado no CUF Infante Santo, em Lisboa. Foi lá que fez tratamento de quimioterapia antes da cirurgia e foi operado em março de 2017. "Sinto-me a pessoa mais feliz do Mundo, é uma coisa inédita porque consigo comer tudo, não fiquei com qualquer tipo de restrição alimentar", explica.

"Sensação de queimadura é um sintoma"
Ricardo Girão Cirurgião no CUF Infante Santo, Lisboa 
CM: Há diferentes tipos de cancro do estômago?

–Ricardo Girão: Sim. O mais frequente é o adenocarcinoma, cuja origem é no tecido epitelial. Se começar no tecido linfoide, então estamos perante um linfoma do estômago. Caso a origem seja em células mais raras, podem originar tumores do estroma [tecido de sustentação de um órgão].
– Quais são os sintomas?

– Os sinais variam consoante a gravidade. Numa fase inicial, a pessoa pode ter indigestão, desconforto gástrico, enfartamento, náusea e perda de apetite. A sensação de ‘queimadura’ é um sintoma.
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