Governo aprovou esta sexta-feira, em Conselho de Ministros, um apoio de cerca de 12 milhões de euros para os viticultores do Douro que, nesta campanha, não consigam escoar a sua produção agrícola.
O presidente da Casa do Douro, Rui Paredes, considerou que a medida anunciada esta sexta-feira pelo Governo para apoiar os viticultores durienses com dificuldade em vender as uvas "não é a ideal" mas "é a possível".
O Governo aprovou esta sexta-feira, em Conselho de Ministros, um apoio de cerca de 12 milhões de euros para os viticultores do Douro que, nesta campanha, não consigam escoar a sua produção agrícola.
O apoio, que poderá rondar os 50 cêntimos por quilo de uva não vendido, destina-se a quem não consegue vender a produção e não entregue as uvas para vinificação e inclui quem deixe as uvas nas videiras.
"Não considerámos que esta medida é ideal, é verdade, fizemos nota disso, mas é a que é possível e pronto, e antes isto que nada", afirmou Rui Paredes, contactado pela agência Lusa.
O presidente da Casa do Douro disse que a instituição representativa dos produtores tem alertado o Governo e pedido uma "ação de apoio à viticultura duriense" porque, sustentou, "o Douro vive da vinha e do vinho".
Os problemas de escoamento de uvas voltaram a agravar-se este ano. Há viticultores que se queixam de não terem compradores, outros de só quererem venda assegurada para as uvas do benefício, ou seja, a quantidade de mosto que cada um pode destinar para a produção de vinho do Porto, e queixam-se também do baixo preço a que a uva lhes é paga.
Do outro lado, os operadores alertam para os 'stocks' cheios e as quebras nas vendas de vinhos.
"Sabemos que há um plano que vai estar em ação, para 2027, que ainda não foi aprovado, mas que está a vai ser levado a conselho interprofissional e que, de alguma uma forma, nos prepara também o futuro. Agora, no imediato era preciso tomar medidas", defendeu Rui Paredes.
Que esclareceu que a Casa do Douro defendia a medida "da uva para destilar", à semelhança do que foi implementado no ano passado, e que ajudaria a retirar excedentes, transformando-os em aguardente que poderia ser introduzida no vinho do Porto.
Referiu ainda que "o Governo optou por uma medida que não é aquilo que um duriense gosta, porque ele trata condignamente as suas videiras, as suas uvas, dá-lhe todo o tratamento, para chegar ao momento da vindima, o epílogo de todo o trabalho do ano, e deixá-las ficar na videira".
"Ou seja, isto é algo que é contraproducente com aquilo que é a génese do Douro e não nos podemos esquecer, e é importante que seja dito, que o Douro representa 64% das exportações de denominação de origem do país. Ou seja, nós somos a região que mais contribui e isto é importante para o país também e, por isso, acho que tem que se olhar para o interior de uma outra forma", frisou.
Esta medida é, na sua opinião, "do mal, o menos", apontando ainda para o facto de um grande operador não ter, até ao momento, ido ao mercado "comprar sequer as uvas destinadas ao benefício", uma situação que está a agravar ainda mais as dificuldades dos viticultores afetados por esta decisão.
Para esta vindima, foi aprovado por unanimidade pelo conselho interprofissional do Instituto do Douro e Porto (IVDP) um benefício de 76.000 pipas, mais 1.000 do que no ano passado, o que representa um compromisso assumido pelas partes (comércio e produção), mas não significa que as empresas sejam obrigadas a comprar as uvas beneficiadas.
Rui Paredes reclamou um outro olhar sobre o interior do país e exemplificou: - "Não podemos gastar 12 milhões ou 15 milhões de euros, a encher uma praia na costa da Caparica, que no próximo ano, com as marés vivas e com o inverno, vai desaparecer outra vez, e depois vai-se gastar mais 12 milhões [no Douro] e é um problema".
O responsável disse não ter nada contra o investimento na praia, mas pede que "não se criem empecilhos para as outras regiões", quando é "preciso intervir e fixar as pessoas no território".
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