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Casa da Praia trabalha há 40 anos para devolver autoestima a crianças "perdidas"

A Casa da Praia abriu as suas portas em outubro de 1975.

21 de outubro de 2015 às 08:13

"Sou feio, sou mau, eu não presto", é desta forma que alguns meninos se descrevem quando chegam à Casa da Praia, uma instituição que apoia maioritariamente crianças com experiências de vida traumáticas que as impedem de comunicar, imaginar e aprender.

A Casa da Praia abriu as suas portas numa pequena vivenda de dois andares na Travessa da Praia, em Lisboa, em outubro de 1975 por iniciativa do psicanalista, pedagogo e pioneiro da saúde mental infantil em Portugal, João dos Santos.

A pretensão de João dos Santos não foi de sobrepor a Casa da Praia à escola ou de a substituir, mas proporcionar um espaço acolhedor a estes meninos com problemas de ordem emocional para que reconstruam a sua autoimagem, ganhem confiança e despertem a sua curiosidade para novas aprendizagens. 

João dos Santos explicava também que a Casa da Praia "não é um hospital de dia porque não se destina a crianças com alterações graves de comportamento resultantes de perturbações mentais do 'foro psiquiátrico'".

Naquele espaço decorado com desenhos e trabalhos feitos por meninos que ali passaram, os professores, educadores e psicólogos trabalham com as crianças os seus interesses e capacidades na tentativa de compreender o que está na origem das suas dificuldades.

A psicóloga e vice-presidente da Casa da Praia, Clara Castilho, explicou à agência Lusa que estas crianças são oriundas de famílias de todos os estratos sociais e todas "têm uma história" de vida que se reflete nos seus comportamentos.

"Há meninos que não falam com ninguém"

Apesar de terem capacidade para aprender, muitas não conseguem ler, escrever e têm problemas de comportamento na escola. "Há meninos que não falam com ninguém" e há outros "muito impulsivos, que não respeitam nada, não sabem conviver", adiantou a psicóloga.

"São meninos com uma autoestima muito baixa, muito desconfiados, muito centrados em si próprios e com dificuldade em estabelecer relações", acrescentou a professora do primeiro ciclo Sara Almeida.

Pegando nas palavras de Sara Almeida, a educadora Cristina Cunha contou que há meninos que têm muita dificuldade em fazer o autorretrato.

"Alguns dizem logo, eu sou feio, eu sou mau e não presto", enquanto outros dizem apenas o nome e a idade, não conseguindo descrever a cor dos olhos e dos cabelos, disse a educadora.

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