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Correio da Manhã

Sociedade

Centenas de fiéis celebram missa ao ar livre em Santa Luzia para cumprir promessa centenária

Segundo comandante da PSP de Viana do Castelo adiantou que "a peregrinação correu bem, com a presença de muita gente, mas com respeito pelas normas de segurança".
Lusa 21 de Junho de 2020 às 17:47
Centenas de fiéis assistiram hoje a uma missa celebrada ao ar livre, em Santa Luzia, pelo bispo da Diocese de Viana do Castelo, no final da peregrinação que liga a cidade ao santuário, no alto do monte.

No início do mês, em comunicado enviado às redações a propósito da elevação da igreja de Santa Luzia a santuário, a Diocese de Viana do Castelo referia que "no dia 21, e na impossibilidade de ser realizada a peregrinação ao Sagrado Coração de Jesus, devido à pandemia de covid-19", a diocese iria celebrar uma eucaristia, às 11:00, no Parque das Tílias, situado na envolvente".

Hoje, numa imagem que acompanha a nota enviada pela diocese, sobre a eucaristia celebrada pelo bispo Anacleto Oliveira, são visíveis centenas de pessoas a assistir à missa, no parque das Tílias, junto ao santuário diocesano de Santa Luzia.

"A celebração contou com a presença de diversos fiéis, muitos dos quais se dirigiram a pé até ao Santuário, observando todas as regras de segurança. Estiveram também presentes vários sacerdotes e o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa", refere a diocese nota enviada.

Contactado pela Lusa, o segundo comandante da PSP de Viana do Castelo, adiantou que "a peregrinação correu bem, com a presença de muita gente, mas com respeito pelas normas de segurança".

"A PSP esteve no local e não houve necessidade de qualquer intervenção", referiu Raul Curva.

No entanto, o responsável adiantou que a Polícia de Segurança Pública "teve de condicionar o trânsito de viaturas no acesso a Santa Luzia para que as pessoas tivessem espaço para manter a distância".

"De uma forma geral foram cumpridas as normas da Direção Geral da Saúde", referiu.

Durante a missa, acrescenta da diocese, o bispo "exortou ao cumprimento das orientações das autoridades de saúde", e "lamentou que alguns episódios conhecidos nos últimos dias façam com que Portugal não seja hoje tão bom exemplo como há umas semanas", lembrando "as palavras do Papa Francisco: prudência e segurança".

A nota acrescenta que, "apesar da peregrinação não se ter realizado nos moldes habituais", o bispo presidiu à eucaristia, tendo observado a mesma "nasceu de um voto feito em plena epidemia, a febre pneumónica, que dizimou tanta gente".

"Sinceramente, nunca imaginei que passados cem anos pudéssemos estar impedidos de a realizar precisamente pela mesma razão que esteve na sua origem. O que significará isto?", questionou, apontando a resposta: "Que temos de viver esta peregrinação com o mesmo espírito com que ela nasceu: com uma prece sentida ao Senhor para que nos livre desta pandemia que nos impede de retomar a normalidade".

Habitualmente, a peregrinação ao Sagrado Coração de Jesus, com cerca de cinco quilómetros, começa no centro da cidade até ao templo situado no cimo do monte de Santa Luzia, sempre muito participada.

Além das mais de 40 paróquias do arciprestado de Viana do Castelo, participam outras paróquias da diocese e muitos outros fiéis que fazem questão de marcar presença nesta importante manifestação de fé.

A tradição, organizada em conjunto pela Confraria de Santa Luzia e pela Diocese de Viana do Castelo, realiza-se desde 1918, antes do verão. Tem a sua origem num voto formulado pela população da cidade rogando proteção à epidemia pneumónica que na altura provocava muitos mortos na região.

No entanto, a primeira peregrinação ao Sagrado Coração de Jesus só se cumpriria três anos depois, em 1921, porque até então eram proibidas as manifestações religiosas e a subida ao monte de Santa Luzia.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 464 mil mortos e infetou mais de 8,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.528 pessoas das 38.841 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

Portugal contabiliza pelo menos 1.528 mortos associados à covid-19 em 38.841 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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