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Correio da Manhã

Sociedade
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CGTP acusa APED de bloquear negociação e negar aumento salarial

A associação diz que "sempre se manifestou disponível" para dialogar e que apresentou soluções em sede própria de negociações, no Ministério do Trabalho.
Lusa 12 de Setembro de 2018 às 15:46
Dirigente da CGTP
Arménio Carlos, líder da CGTP
Arménio Carlos, dirigente da CGTP
Arménio Carlos
Dirigente da CGTP
Arménio Carlos, líder da CGTP
Arménio Carlos, dirigente da CGTP
Arménio Carlos
Dirigente da CGTP
Arménio Carlos, líder da CGTP
Arménio Carlos, dirigente da CGTP
Arménio Carlos
O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, lamentou hoje que as grandes empresas de distribuição em Portugal e a associação do setor (APED) estejam a bloquear a negociação coletiva e a negar o aumento e a atualização dos salários.

"Estas empresas e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) não só bloqueiam a negociação da contratação coletiva como estão a negar aquilo que é fundamental e que é um direito fundamental dos trabalhadores, que é o aumento e a atualização anual dos salários", afirmou o líder da CGTP aos jornalistas, em Lisboa.

Falando à margem de uma manifestação em frente da sede da APDC em Lisboa, que contou com a participação de duas centenas de trabalhadores, Arménio Carlos lembrou que "a economia está a crescer", mas existe, "simultaneamente, uma situação de desigualdade mais gritante".

"Estas empresas de distribuição têm elevadíssimos lucros, os seus gestores ganham milhões por ano e continuam a recusar aumentar os salários a estes trabalhadores -- que estão na ordem do salário mínimo nacional", disse o líder da CGTP, adiantando que, por outro lado, "não satisfeitos ainda querem que eles trabalhem mais e recebam menos pela via da diminuição do pagamento do trabalho extraordinário".

Para Arménio Carlos, esta é uma situação "inadmissível e inaceitável", e o facto de haver duas tabelas salariais, onde uma primeira "está próxima" do salário mínimo nacional e outra, a tabela B, "ainda está abaixo" dessa mesma tabela o que é "injusto".

"O que se reclama é que tem de haver trabalhadores de uma única classe, isto é, a classe de todos", advertiu o líder da CGTP, realçando a necessidade de se aumentarem "os salários de todos e acabar com a discriminação que neste momento existe com as duas tabelas salariais".

"Não é justo que numa região ganhem mais do que noutra [na mesma empresa]. Têm de ganhar o mesmo em todo o lado", salientou o dirigente sindical.

De acordo com a CGTP, nos últimos oito anos, no seu conjunto, e formalmente os trabalhadores das empresas de grande distribuição tiveram um aumento de 11 euros, com uma inflação de 10%, questionando "porque é que estas empresas que tantos lucros têm tido ao longo deste tempo não têm dinheiro e disponibilidades para aumentar os trabalhadores".

Arménio Carlos considerou que "demonstra que o caminho não pode ser este e isto demonstra que esta é a lógica do modelo de baixos salários e trabalho precário".

Já Isabel Camarinha, do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP), referiu que tem tido nota de "muita adesão" à greve de hoje e que os trabalhadores estão a manifestar-se para dizer à APED e às empresas suas associadas (nomeadamente Pingo Doce, Sonae, Lidl, Mini Preço e Fnac) que "não se admite que não haja uma atualização e um aumento de salários".

"Estes trabalhadores têm salários um pouco acima do salário mínimo nacional e o contrato coletivo não é revisto há vários anos, mas a negociação já começou há dois anos. E não se compreende o que é que as empresas dizem, pois não se pode exigir contrapartidas aos trabalhadores com salários de miséria, horários desregulados, intensíssimos".

Em comunicado, a APED realça que o processo negocial está a decorrer no Ministério do Trabalho, rejeita "a existência de qualquer bloqueio nas negociações" do Contrato de Trabalho e refuta "as razões das paralisações e manifestações convocadas pelos sindicatos.

E refere ainda que no quadro das negociações entre a APED e os sindicatos está agendada para a próxima sexta-feira uma reunião no Ministério do Trabalho, ronda de negociações já marcada desde julho deste ano.

A APED diz que "sempre se manifestou disponível" para dialogar e que apresentou soluções em sede própria de negociações, no Ministério do Trabalho.

A associação do setor, que agrega 153 empresas do retalho e distribuição que empregam atualmente 120.000 trabalhadores, reafirmou em comunicado "a total disposição para dialogar" com as estruturas sindicais em sede própria e considera "incompreensíveis as manifestações e paralisações" convocadas pelos sindicatos, alertando para o facto desta posição dificultar "um clima de consenso, conciliação e compromisso".
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