'Chef' teve quebras de 75% no seu restaurante, o Oficina, no Porto.
O 'chef' Marco Gomes teve quebras de 75% no seu restaurante, o Oficina, no Porto, e para enfrentar a crise causada pela pandemia de covid-19 apostou na venda 'on-line' de vinhos e de refeições embaladas em vácuo.
As plataformas, apresentadas hoje, estão já a funcionar em velocidade de cruzeiro e uma delas, a É Vinho, surpreendeu Marco Gomes: "Está a correr acima do que esperava e tem sido um complemento importante para nos mantermos nesta luta", disse este "chef" natural de Trás-os-Montes, que já cozinhou em vários países.
Marco Gomes afirma que a É Vinho arrancou em agosto, "tem recebido pedidos de norte a sul de Portugal e até já da Alemanha ou França", tendo-se transformado "num apoio financeiro importante" para a sua atividade profissional, garantindo entregas num prazo de 48 horas.
"Trabalhamos com mais de 600 referências, entre vinhos de mesa, espumantes, champanhes, fortificados, destilados e também cervejas artesanais", detalhou.
A ideia original era criar uma distribuidora para os espaços de restauração onde Marco Gomes está presente.
A pandemia de covid-19 baralhou-lhe os planos e levou-o a avançar para uma plataforma de venda de vinhos "on-line" como forma de combater a crise que atingiu o setor da restauração desde março, incluindo o seu próprio restaurante.
O estabelecimento teve uma quebra de "75%" em novembro na sua faturação normal.
"Isto e a outra plataforma, de venda de refeições embaladas, são uma forma de não baixarmos o braços e termos a equipa do restaurante minimamente ocupada numa altura de muito pouco movimento como esta", salientou.
Marcos Gomes adverte que "esperar que as coisas caiam do céu é ter um enterro traçado", razão pela qual sustenta que "tem de se ser criativo e não baixar os braços".
O restaurante e os conhecimentos adquiridos no contacto direto com os clientes ao longo de uma carreira de mais de duas décadas, com passagens por diversos estabelecimentos, serviram de impulso para o É Vinho.
"No mês passado faturamos mais de dez mil euros. Ainda é pouco, mas já não é mau", afirmou.
A segunda plataforma de venda 'on-line' criada por Marco Gomes é a Oficina em Casa e inclui refeições embaladas em vácuo que o cliente finaliza segundo as instruções.
"Criei um QR Code (código de barras) que a que a pessoa aponta um telemóvel e apareço eu num pequeno vídeo a explicar como se pode terminar e empratar a refeição. Nunca foi tão fácil cozinhar como um "chef". Começo sempre com esta mensagem", refere, considerando que "os clientes podem divertir-se a finalizar os pratos encomendados".
Entradas, pratos de peixe e de carne e sobremesas estão entre as opções "em vácuo, para terminar em casa", e o conceito é o que Marco Gomes adotou nas suas criações gastronómicas, combinando tradição e contemporaneidade.
A plataforma das refeições funciona desde outubro e tem conhecido "uma evolução mais lenta" do que a dos vinhos, mas ambas são uma experiência que o 'chef' pretende consolidar e manter mesmo depois de vencida a crise pandémica.
Marco Gomes antevê um regresso lento à normalidade quando a pandemia terminar.
"As pessoas estão assustadas e algumas não se vão meter num avião tão cedo", prognostica, decidido, ainda assim, a lutar para salvar o seu restaurante e os postos de trabalho respetivos.
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