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Correio da Manhã

Sociedade
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Cheques dentista para rastreio de cancro oral

O alargamento do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral tem como objetivo aumentar a sobrevivência por cancro oral após o diagnóstico da doença.
1 de Março de 2014 às 14:29
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Cada utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS) passa, a partir deste sábado, a ter direito a dois cheques dentista por ano para diagnóstico de cancro oral e a outros dois para biopsia. O rastreio insere-se no alargamento do Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral, que conta neste ano com um orçamento total de mais de 16 milhões de euros. Ao todo a ideia é que neste ano sejam feitas 5000 biópsias a lesões suspeitas que serão analisadas no Ipatimup (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular), no Porto.

De acordo com uma norma da Direção-Geral da Saúde, a principal população alvo são as pessoas pertencentes aos grupos de risco (homens fumadores, com mais de 40 anos e com hábitos alcoólicos) por serem situações de risco para o desenvolvimento deste tipo de tumores que afectam a cavidade oral, dos lábios à garganta, incluindo as amígdalas e faringe. Para além do grupo de risco, a medida abrange os utentes com lesões na cavidade oral e com queixas de dor, alterações da cor ou da superfície da mucosa oral.

A Ordem dos Médicos Dentistas já estimou que passem a ser realizadas anualmente cerca de cinco mil biopsias ao cancro oral. O bastonário da ordem, Orlando Monteiro da Silva, refere que os 240 médicos dentistas que vão participar no programa de rastreio do cancro oral já foram seleccionados, de entre mais de 1100 candidatos, e que a rede está pronta para arrancar assim que houver a luz-verde oficial. O despacho do Ministério da Saúde determina que oficialmente o rastreio arranca a 1 de Março, mas o bastonário afirmou que é preciso uma comunicação prática no sentido de poderem avançar no terreno, ainda que considere que na próxima semana os médicos já possam começar a sinalizar os doentes com lesões suspeitas.

Os principais sintomas de cancro oral incluem alterações de cor, aumento de volume em alguma zona com presença de uma massa endurecida, feridas que não cicatrizam e dificuldade em engolir. Apesar de se estimar que mate 500 pessoas por ano em Portugal e de já estar entre os principais tumores malignos em termos de mortalidade, muitas vezes, na primeira fase, este tipo de cancro não dá dor.

A ideia é que todo o processo demore menos de um mês, entre a primeira consulta com o médico de família ou o dentista que detectam a lesão suspeita, a biópsia que confirma o diagnóstico e a chegada dos casos positivos a um dos três Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) do país.

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