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Correio da Manhã

Sociedade
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Cinco mil enfermeiros na rua por melhores salários

Profissionais de saúde defendem a criação de especialistas e subida do ordenado-base de 1200 para 1600 euros.
João Saramago 16 de Setembro de 2017 às 01:30
Enfermeiros provenientes de todo o País manifestaram-se em Lisboa, num protesto que se prolongou por mais de seis horas
Manifestantes reclamaram em frente ao Palácio de São Bento
Ana Rita Cavaco não concordou com a iniciativa de entrega dos títulos
Enfermeiros provenientes de todo o País manifestaram-se em Lisboa, num protesto que se prolongou por mais de seis horas
Manifestantes reclamaram em frente ao Palácio de São Bento
Ana Rita Cavaco não concordou com a iniciativa de entrega dos títulos
Enfermeiros provenientes de todo o País manifestaram-se em Lisboa, num protesto que se prolongou por mais de seis horas
Manifestantes reclamaram em frente ao Palácio de São Bento
Ana Rita Cavaco não concordou com a iniciativa de entrega dos títulos
Por mais de seis horas cerca de cinco mil enfermeiros provenientes de todo o País realizaram um protesto em Lisboa com o objetivo de levar o Governo a ceder na subida da remuneração-base de 1200 para 1600 euros, bem como reconhecer a figura do enfermeiros especialista.

A manifestação dos enfermeiros arrancou em frente ao Palácio de Belém, residência do Presidente da República, e terminou ao final da tarde na residência oficial do primeiro-ministro. No palácio de São Bento, elementos do movimento ‘Enfermeiros Especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia’ entregaram no gabinete de António Costa uma proposta para o contrato coletivo de trabalho. No final, Bruno Reis, um dos dirigentes do movimento, lançou um apelo de união às diferentes estruturas sindicais para a greve que foi anunciada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, e que se realiza entre os dias 3 e 5 de outubro.

O protesto teve o seu ponto mais marcante em frente à Assembleia da República, onde os enfermeiros gritaram palavras de ordem como "Não somos marionetas!", "Basta!" e "Sem Medos!".

Os enfermeiros manifestaram-se vestidos de negro, como símbolo das políticas para a carreira que classificam como "negativas" e usaram cravos brancos em referência às batas brancas com que trabalham. O negro foi a cor dominante da manifestação que percorreu Lisboa, entre Belém e São Bento. Elsa Rosa foi um dos rostos da manifestação. Face à dimensão da manifestação referiu: "A nossa paciência tem limites!"

Bastonária quer juntar os sindicatos em reunião
A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, quer unir os sindicatos na mesma luta. E para levar a cabo este objetivo vai convocar, para a próxima semana, em princípio segunda-feira, uma reunião na qual se "sentem à mesa e conversem", disse a bastonária durante o protesto dos enfermeiros que decorreu ontem em Lisboa, em frente à Assembleia da República. Ana Rita Cavaco afirmou que as manifestações de descontentamento dos profissionais tiveram um pré-aviso de um ano e meio e considerou que a ação de ontem foi o maior protesto de sempre do pessoal de enfermagem.

Recorde-se que a bastonária disse durante a semana que não concorda com a estratégia encontrada por alguns movimentos sindicais dos enfermeiros, que incitaram à entrega dos títulos de especialidade.

PORMENORES
Adesão superior a 80%
A adesão à greve dos enfermeiros foi de 86% no turno da noite, no último dia de greve, disse o sindicalista José de Azevedo, salientando que na quinta-feira os níveis fixaram-se nos 92%, o melhor resultado desde o início da paralisação.

Recomendações do BE
A coordenadora do BE, Catarina Martins, defendeu que o ministro da Saúde "deve dar passos claros rapidamente" para repor a normalidade na questão dos enfermeiros, avisando que "fazer restrições na saúde pública é o pior passo para a economia".

Cirurgias adiadas
A greve, que terminou ontem e que durou cinco dias, levou ao adiamento de mais de sete mil cirurgias e de milhares de consultas e exames e ao fecho de centros de saúde no País.
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