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Correio da Manhã

Sociedade
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Cinto apertado nas marchas

Em tempo de crise, fazer mais com menos dinheiro é o desafio com que se debatem as coletividades para pôr a marcha na rua, mas sem perder o brilho.
10 de Junho de 2013 às 01:00
A Bica usou 720 esfregões da loiça para fazer arcos em forma de coração de filigrana. Gastou 259 €
A Bica usou 720 esfregões da loiça para fazer arcos em forma de coração de filigrana. Gastou 259 € FOTO: Vítor Mota

É de cinto apertado mas de peito feito, dispostas a manter o brilho, que as marchas populares de Lisboa voltam a sair à rua. A redução do subsídio camarário – de 30 para 27 mil euros –, o aumento do IVA, o fecho de muitas lojas do pequeno comércio que contribuíam com donativos, obriga as coletividades organizadoras a muita ginástica financeira.

O Alto do Pina, que defende o título, vai gastar 31 mil euros, menos sete mil do que no ano passado. "Os comerciantes ajudam, mas há cada vez mais estabelecimentos a fechar", diz Vítor Ferreira. Em Alfama, também há redução de custos: "Passámos de 40 para 32 mil. No nosso bairro, fecharam muitas lojas, que ajudavam. Foram substituídas por outro tipo de comércio, que não se identifica com esta festa. Recorre-se à imaginação no uso dos materiais; os arcos são feitos em papel", relata João Ramos. Na Bica (gasta 31 mil euros, o mesmo do ano passado), a imaginação tomou forma nos arcos, feitos com 720 esfregões da loiça (cada um custou 36 cêntimos). "Quase todo o trabalho é voluntário", diz Pedro Duarte. O mesmo se passa na Penha de França, "Foram os marchantes que colocaram as luzes nos fatos e arcos", diz Paulo Lemos. Os custos são os mesmos do ano passado: cerca de 30 mil euros.

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